ISSN/EISSN: 18095909 21797994
Subject:
Public Health
Publisher: Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC)
Country: Brazil
Language: Portuguese
Start year 2004
Publication fee:
No
--- Further Information
Journal homepage at publisher site

Loading...
Loading...
<strong>Introduction:</strong> Brasil is 14th amongst the 20 countries with 80% of tuberculosis cases (TB) in the world, with annual incidence of 46 new cases/100,000 inhabitants. The Health Unit of Divina Providencia Hospital, of SSC/ GHC, is a reference for TB treatment in an area of about 6,000 inhabitants. It’s expected about 6 new cases a year in the population covered by the hospital, considered a historic series and incidence in Porto Alegre, which currently is of 100/100,000. <strong>Objective:</strong> To describe the profile of TB carriers from USDP, with data on incidence, type of TB, serology for HIV, age, sex and start of treatment. <strong>Methods:</strong> Review of the registered cases in the USDP archives and review of the patient charts. <strong>Results:</strong> Between February 2007 and February 2008, 14 new cases of TB were registered in USDP. The ages were among 13 to 67 years, 8 men and 6 women. The average age of men was 38.6 years old and of women was 35.6 years old. Five were HIV positive and one person refused to do the HIV exam. Ten cases were exclusively of pulmonary TB and four cases of extra-pulmonary TB. The 14 cases were treated with E1 (RHZ). Out of the patients treated, 6 were discharged by cure (42%), 1 from abandonment (7%) and 1 death (7%), and 6 were still undergoing treatment by the end of the data collection (46.6%). <strong>Conclusion:</strong> the high incidence of TB, more than double than expected, in the USDP territory, indicates that these ratios need to be reviewed and compared to other Health Units that act in the same manner. The gathering of new cases through the search of respiratory symptomatics, as well as the vigilance of cases in treatment, is allowing for good detection and cure ratios, with good assent to treatment.<br />
<strong>Introducción:</strong> Brasil es 14º entre los veinte países con 80% de casos de tuberculosis (TB) en mundo, con incidencia anual de 46 casos nuevos/100.000 habitantes. La Unidad de Salud y Divina Providencia (USDP), do SSC/GHC es referencia para tratamientos da TB en un área cerca de 6.000 habitantes. Son esperados cerca de 6 casos nuevos/año en una población cubierta por la USDP, considerando la serie histórica y la incidencia en Porto Alegre, que hoy es de 100/100.000. <strong>Objetivo:</strong> describir el perfil de los portadores de TB de la USDP, con datos sobre incidencia, forma de TB, serología para el sida, edad, sexo y adhesión al tratamiento. <strong>Métodos:</strong> Revisión de los registros, de los casos en los periódicos de la USDP e revisión de prontuarios. <strong>Resultados:</strong> Entre febrero de 2007 y febrero de 2008, se certificaron 14 nuevos casos de TB en USDP. Las edades se situaron entre 13 y 67 años, 8 hombres y 6 mujeres. La media de edad de los hombres han sido de 38-6 años y de las mujeres han sido 35,6.Cinco eran positivas para HIV y una persona se negó a realizar el examen. Las formas fueron: 10 casos exclusivos de TB pulmonar y 4 casos de TB extra pulmonar. Los 14 casos fueron tratados con E1(RHZ).Entre los pacientes tratados, 6 tuvieron liberación por cura (42%) , 1 por abandono (7%) y 1 óbito (7%), y 6 mantuvieron en tratamiento en el final de la colecta de datos (46,6%). <strong>Conclusión:</strong> La alta incidencia de TB, mucho más que era esperada, en territorio de USDP, indica que estas tasas necesitan ser revistas y comparadas a las de otras unidades de salud que actúan de la misma forma. La captación de nuevos casos a través de la búsqueda de sintomáticos respiratorios, bien como la vigilancia de los caos en tratamiento, permiten índices buenos de detección y de cura, con buen adhesión Al tratamiento.<br />
<strong>Introdução: </strong>O Brasil é o 14º entre os 20 países com 80% dos casos de tuberculose no mundo, com incidência anual de 46 casos novos por 100.000 habitantes. A Unidade de Saúde Divina Providência (USDP), do SSC/ GHC, é referência para tratamento da tuberculose em uma área com cerca de 6.000 habitantes. São esperados cerca de seis casos novos por ano na população coberta pela USDP, considerando a série histórica e a incidência em Porto Alegre, que hoje é de 100/100.000. <strong>Objetivo:</strong> Descrever o perfil dos portadores de tuberculose da USDP, com dados sobre incidência, forma de tuberculose, sorologia para o HIV, idade, sexo e adesão ao tratamento. <strong>Métodos: </strong>Revisão dos registros dos casos nos impressos da USDP e dos prontuários. <strong>Resultados:</strong> Entre fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008, registraram-se 14 novos casos de tuberculose na USDP. As idades situaramse entre 13 e 67 anos, oito homens e seis mulheres. A média de idade dos homens foi 38,6 anos e das mulheres, 35,6. Cinco eram positivos para HIV e uma pessoa negou-se a realizar o exame. As formas foram: dez casos exclusivos de tuberculose pulmonar e quatro casos de tuberculose extrapulmonar. Os 14 casos foram tratados com E1 (RHZ). Dos pacientes tratados, seis tiveram alta por cura (42%), um por abandono (7%) e um óbito (7%), e seis permaneciam em tratamento no final da coleta de dados (46,6%). <strong>Conclusão: </strong>A alta incidência de tuberculose, mais do que o dobro da esperada, no território da USDP, indica que estas taxas necessitam ser revistas e comparadas às de outras Unidades de Saúde que atuam da mesma forma. A captação de novos casos por meio da busca de sintomáticos respiratórios, bem como a vigilância dos casos em tratamento, está permitindo bons índices de detecção e cura, com boa adesão ao tratamento. <br />

Loading...
Loading...<p><strong>Resumo</strong>: a tuberculose continua sendo um problema de saúde pública no Brasil. A descentralização das ações de controle e o exercício da vigilância epidemiológica no âmbito da atenção primária à saúde têm importância destacada neste cenário. Porto Alegre é um município prioritário para o controle da tuberculose. Dentro dos municípios prioritários, existem áreas críticas ditas <em>bolsões </em>de tuberculose e dentro dos bairros existem também <em>micro-áreas</em> com densidade maior de casos. <strong>Objetivos</strong>: o objetivo geral deste estudo foi identificar os casos de tuberculose ocorridos em uma micro-área de pobreza considerada suspeita de ser um <em>bolsão </em>de tuberculose. Os objetivos específicos foram comparar dados obtidos por diferentes métodos de coleta, desenvolver uma investigação detalhada dos casos e seus contatos e verificar a existência de associações temporais e espaciais entre os casos. <strong>Materiais e Métodos: </strong>foi realizado um estudo de uma série de casos com base em um levantamento epidemiológico dos casos notificados ao SINAN entre 2000 e 2008 e feita uma comparação destas notificações com os casos identificados em um inquérito epidemiológico prévio. Para a busca de dados não disponíveis no banco do SINAN, foi realizada uma investigação epidemiológica de campo. <strong>Resultados:</strong> o coeficiente de incidência desta área restrita em 2005 foi 1550,39 ? 100.000 habitantes, 11 vezes maior do que na área total da gerência distrital e 14 vezes maior do que em toda a área da UBS. Escolaridade e renda dos participantes foram baixas, enquanto que a associação com alcoolismo e a situação de abandono do tratamento foram elevadas. A associação com HIV, diferentemente do que se observa no panorama geral da cidade, foi baixa. A investigação dos contatos ficou abaixo do preconizado. O índice da relação contatos/caso examinados foi registrado como zero em 12 das 21 notificações e em apenas 4 a meta mínima de examinar 4 contatos por caso foi atingida ou superada. Houve vários casos entre contatos domiciliares e também foram descritos contatos extra-domiciliares. <strong>Conclusões:</strong> estudos epidemiológicos diversos podem ter papéis complementares na execução das tarefas de vigilância. A implementação de ações para diminuir o impacto da tuberculose na saúde da população inclui diversos setores. A atenção primária à saúde ocupa um papel de destaque nesse cenário.</p>

Loading...
Loading...<p><strong>Introdução:</strong> a regionalização do controle da tuberculose (TB) é uma das metas da Vigilância (CGVS) buscando reduzir os casos de abandono do tratamento e aumentar a taxa de diagnóstico. A análise dos resultados prévios das áreas a serem regionalizadas é importante para manter e ampliar a qualidade do controle da tuberculose, além de ser uma das etapas iniciais do planejamento da atenção à saúde. <strong>Objetivo: </strong>a regionalização do atendimento à TB na área da UBS HCPA visa: (1) descentralizar a estratégia de diagnóstico e tratamento da TB; (2) implantar um sistema coordenado de atenção com foco na atenção primária; (3) georreferenciar os pacientes para otimizar a vigilância local; (4) contribuir para o treinamento dos médicos residentes em medicina de família HCPA na área de gestão dos programas da atenção primária; e (5) contribuir na redução das taxas de abandono ao tratamento. <strong>Materiais e Métodos: </strong>Fase 1 - realizou-se a estimativa do número de casos, georreferenciamento dos casos notificados e a análise da coorte utilizando os dados históricos da região de abrangência da UBS HCPA no período de janeiro de 2004 até julho de 2008, data da implantação do serviço regionalizado buscando os indicadores de atenção deste período. Fase 2<strong> –</strong> Foram criados fluxogramas de rastreamento, diagnóstico e tratamento e foi iniciado o atendimento sob supervisão. <strong>Resultados: </strong>a incidência média de TB nessa região é de aproximadamente 0,5/100.000hab/ano. Foram realizados mapas georeferenciados dos casos. Foram notificados 88 pacientes entre 1/2004 a 7/2008, sendo 55,7% da forma pulmonar (idade 39,6 ±16,8 anos), 37,5% extra-pulmonar (idade 48,2 ±17,5 anos) e o restante, formas mistas. Quanto ao local de diagnóstico: 1% na atenção primária, 89% na atenção secundária e os demais na atenção terciária. Nos casos de TB pulmonar, a baciloscopia foi positiva em 57,1% e não realizada em 18% dos casos. Com relação ao tratamento as taxas foram 75,1%, para cura e 8,5% de abandono. Os dados do início da implantação (3 meses) mostram a pesquisa de 25 sintomáticos respiratórios por mês, o diagnóstico de um caso novo e a busca ativa de 100% dos faltosos. <strong>Conclusões: </strong>os resultados prévios da área mostram taxas de sucesso e de abandono abaixo das metas estabelecidas. A taxa de diagnóstico na atenção primária é baixa. Em função disso a descentralização deve ser acompanhada por um aumento do rastreamento dos sintomáticos respiratórios e busca ativa dos contatos, visando aumentar o diagnóstico e o desenvolvimento de tratamento supervisionado (ADOT) buscando reduzir o abandono.</p>

Loading...
Loading...<p><strong>Introdução: </strong>um dos passos importantes no processo de avaliação dos serviços de saúde, propostos por Donabedian, é a avaliação das características sócio-demográficas e de saúde da população atendida, utilizando estas informações no planejamento. <strong>Objetivo: </strong>determinar a prevalência dos fatores e comportamentos de risco cardiovascular numa área adscrita do Programa de Saúde da Família da UBS HCPA/Santa Cecília e avaliar a qualidade do cuidado preventivo a esses pacientes, sua afiliação ao serviço de saúde e a percepção das pessoas em relação a sua saúde. <strong>Materiais e Métodos: </strong>foi planejado um estudo de prevalência, no qual selecionamos em entrevistas domiciliares os homens ? 45, mulheres ? 55 anos e os indivíduos com pelo menos um dos seguintes fatores de risco independente da idade: Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), Diabete Melitus (DM), Cardiopatia Isquêmica (CI), Doença Cerebrovascular (DCV). Os indivíduos selecionados responderam a um questionário sobre fatores de risco que incluía variáveis sócio-demográficas, antropométricas, afiliação ao serviço de saúde e presença de fatores de risco tais como: tabagismo, sedentarismo, consumo de álcool, HAS, DM, Hipercolesterolemia, obesidade, obesidade central e doença cardiovascular. Os dados preliminares são apresentados de forma descritiva utilizando média e desvio padrão ou mediana e quartil conforme a distribuição gauseana ou não-gauseana, respectivamente. <strong>Resultados: </strong>foram identificados 1126 domicílios na área. Destes, 94 foram visitados e encontrados 82 indivíduos com fatores de risco cardiovascular. Esta amostra foi composta por 49 (59,7%) mulheres e a idade média foi de 62 ±11.8 e com média de 8,7 anos de estudo. A análise dos fatores de risco nesta amostra populacional mostrou a presença de fatores de risco nos seguintes percentuais: HAS 64,6 %, DM 22%, 42,6% obesos, 32,9% com sobrepeso, tabagismo 10,2%, sedentarismo 46,1%, dislipidemia 41,5%, história de acidente vascular cerebral 7,3%, história de infarto agudo do miocárdio 7,3% e CI 13,4%. Não foram encontradas diferenças entre homens e mulheres quanto à presença de fatores de risco. <strong>Conclusões:</strong> os dados preliminares sugerem uma grande prevalência de fatores de risco na população estudada, principalmente no que se refere à HAS, à DM, à obesidade e ao sedentarismo. Intervenções na comunidade visando o controle destes fatores de risco devem ser implementadas.</p>

Loading...
Loading...<p><strong>Introdução: </strong>embora a medida da pressão arterial (MPA) casual em consultório seja o procedimento padrão para o diagnóstico e seguimento de hipertensão arterial sistêmica (HAS), ela é sujeita a erros. Para reduzir estes erros utiliza-se a MAPA que tem, entre outras vantagens, um maior poder em prognosticar desfechos cardiovasculares maiores e atenua o efeito do avental branco. Entretanto, o seu uso na atenção primária ainda não está bem estabelecido. <strong>Objetivo: </strong>qualificar a rotina do atendimento da HAS na UBS HCPA/Santa Cecília, avaliando a necessidade de incorporar a MAPA na rotina de atendimento, identificar a prevalência de HAS não controlada no ambulatório, comparar as informações obtidas pelo MAPA e pela MPA nos pacientes hipertensos e não controlados. <strong>Materiais e Métodos: </strong>em um estudo transversal serão selecionados para a realização de MAPA aqueles pacientes com diagnóstico de HAS que apresentem medidas de TA não-controladas (TA ? 140/90 mmHg) <strong>Etapa 1</strong>: Aprimoramento do método de colocação do aparelho de MAPA e leitura dos resultados, através de busca bibliográfica, treinamento junto ao Serviço de Cardiologia do HCPA e exame de pacientes hipertensos atendidos no ambulatório da UBS. <strong>Etapa 2</strong>: Serão registrados, entre outros, os seguintes dados dos pacientes hipertensos atendidos na UBS: MPA (2 medidas com intervalo de 5 minutos, com o paciente sentado), presença de co-morbidades e conduta do médico frente aos resultados. Por este registro serão selecionados os primeiros 10 pacientes que apresentam MPA elevada a cada mês até atingir um total de 78 pacientes. Os pacientes com médias pressórica ? 135 mmHg na MAPA serão considerados bem controlados. Todos os pacientes selecionados para a MAPA também farão pelo menos 3 MPA pela enfermagem na mesma semana em que realizam MAPA e se a média pressórica for ?140/90 serão considerados bem controlados. Os resultados serão apresentados de forma descritiva, calculados os intervalos de confiança para 95% para as variáveis de interesse. Para as comparações utilizaremos Teste T, de Mann Whitney, e Qui-quadrado, conforme a variável. O nível de significância considerado será de 5%. <strong>Resultados: </strong>foi realizado o treinamento e a colocação da MAPA em 2 pacientes hipertensas não controladas conforme as medidas de consultório, e em ambas a MAPA mostrou medidas pressóricas normais. <strong>Conclusões: </strong>espera-se com este estudo criar uma rotina para a utilização da MAPA em nosso serviço, identificando o custo e efetividade deste procedimento na APS.</p>

Loading...
Loading...<p><strong>Objetivo: </strong>o objetivo desse trabalho é identificar o perfil dos pacientes cadastrados como usuários de psicotrópicos e também descrever o cuidado em saúde mental fornecido a esses usuários na UBS 8, pertencente ao Centro de Saúde-Escola Murialdo. <strong>Método: </strong>a partir de um cadastro dos usuários de psicotrópicos feito pela UBS para a renovação mensal de psicotrópicos, foram selecionados 60 pacientes maiores de 18 anos e que utilizam psicotrópicos há no mínimo um ano devido a uma patologia incluída nos transtornos mentais do CID-10. Os pacientes tiveram seus prontuários pesquisados e responderam a questionário, mediante aceite de termo de consentimento. Os dados obtidos foram organizados em tabelas de freqüência no programa Epi-Info. <strong>Resultados:</strong> a amostra é composta de mulheres (70%) e a média de idade é de 44,43 anos. Em relação ao estado civil, 41,7% são solteiros. Apenas 20% moram sozinhos. 55% possuem co-morbidades, as principais sendo HAS (18,3%) e DM (5%). O diagnóstico mais frequente nessa amostra é o de depressão (50%) e o psicotrópico mais utilizado a fluoxetina (33,3%). 11,7% não possuem diagnóstico, embora utilizem psicotrópicos há mais de 1 ano. Apenas 5% das pessoas são acompanhadas em algum outro serviço de saúde mental. 23,3% não consultaram na UBS no último ano. 39 pessoas (65%) agendaram consultas com médico. Em 19 consultas agendadas com médico (31,7% do total) não houve abordagem de aspectos da saúde mental. <strong>Conclusões: </strong>o paciente<strong> </strong>da Saúde Mental tem dificuldades de tratamento, adesão e acompanhamento. É necessário aproveitar as consultas desses pacientes na UBS (mesmo quando não motivadas por queixas de saúde mental) para um acompanhamento que de outra forma não ocorrerá.</p>

Loading...
Loading...<p><strong>Introdução: </strong>o tratamento da obesidade em grupos (GO) tem um resultado variável conforme a metodologia utilizada, chegando a se obter uma perda ponderal (PP) de até 10% em 3-6 meses. Embora muito utilizada na atenção primária, esta abordagem tem sido pouco estudada. <strong>Objetivo: </strong>avaliar a evolução dos pacientes em acompanhamento em um GO, correlacionando seu perfil com sua permanência no grupo e a PP obtida. Também se buscou comparar os resultados com a literatura. <strong>Materiais e Métodos: </strong>estudo não controlado, quase-experimento, com intervenção. Foram avaliados os pacientes que freqüentaram pelo menos uma reunião do GO na Unidade Básica de Saúde HCPA no período de outubro de 2007 a outubro de 2008. A busca ao GO foi por demanda espontânea ou por indicação do médico na consulta. Em encontros semanais, com duração de 90 minutos, foram utilizadas técnicas de educação cooperativa, cognitivo-comportamentais e motivacionais para PP, adesão à dieta e atividade física, aferido peso semanalmente, discutidos os resultados em grupo e fornecida dieta hipocalórica. Os pacientes foram classificados em: não aderentes (NA) e aderentes (A) conforme tenham participado de ? 2 ou ? 3 encontros, respectivamente. Foram avaliados a PP e possíveis fatores relacionados a isso. Os resultados são descritivos e em comparações utilizando Teste T, Mann Whitney, Qui-quadrado e correlação de Spearmann. Nível de significância de 5%. <strong>Resultados</strong>: foram avaliados 69 pacientes, 62 (89,9%) do sexo feminino, idade de 49,2±13,2; 33 classificados como NA e 36 como A. Comparando estes dois grupos, observamos a diferença quanto ao peso inicial: NA= 98,7 ± 24,7 e A= 88,4 ± 16,8, p< 0,05; e quanto ao percentual de mulheres: NA= 26 (81,3%) e A= 35 (97,2%), p< 0,05; e semelhança quanto idade, escolaridade, cor e estado civil. Houve correlação entre o número de reuniões e a PP (r= (-)0,61, p< 0,0001). Nos 20 participantes com permanência ? 12 semanas observou-se PP média de 6,63 Kg. <strong>Conclusões: </strong>o GO obteve um bom resultado para os pacientes mais aderentes e parece ser mais adequado ao tratamento das mulheres e indivíduos com menores graus de obesidade. O ideal será a inclusão de um grupo controle em um próximo estudo.</p>

Loading...
Loading...<p><strong>Introdução:</strong> o câncer de colo uterino é passível de prevenção e cura, apesar disso mantém uma alta taxa de mortalidade no mundo. A citologia realizada de rotina e associada à colposcopia e à biópsia cervical compõem o seguimento capaz de identificar lesões precursoras do câncer e de diminuir a incidência dessa patologia. <strong>Objetivos:</strong> identificar pacientes com Neoplasia Intra-epitelial Cervical, a prevalência dessas alterações conforme a faixa etária e definir qual o acompanhamento realizado por elas no Centro de Saúde-Escola Murialdo. <strong>Materiais e Métodos:</strong> estudo coorte retrospectivo de dados secundários das pacientes com lesão intraepitelial de baixo e alto grau, identificando a realização de colposcopia, biopsia e repetição da citologia após a primeira alteração citológica. <strong>Resultados</strong>: 372 mulheres entre 13 e 82 anos tiveram seus exames avaliados entre 1997 e 2008, resultando em prevalência de 70,2% de lesões de baixo grau e 29,8% de lesões de alto grau e câncer invasor. Delas, 68,2% passaram por colposcopia, 48,1% chegaram à biopsia e 8,8% das orientadas a repetir o CP, o fizeram em menos de um ano. No seguimento, 20,7% chegaram à conização, 1,9% sofreram histerectomia e 78,2% das alterações de baixo grau tiveram citologia normal à re-coleta. <strong>Conclusões:</strong> há baixa cobertura do rastreamento do câncer cervical nessa população com alta prevalência de HPV e infecções que vulnerabilizam o epitélio cervical. Porém, com a facilidade da colposcopia há super-avaliação das alterações e provavelmente tem-se diminuído a mortalidade pelo câncer. É urgente ampliar a vigilância em saúde da mulher até que as unidades de saúde estejam organizadas e ativas diante do tema.</p>

Loading...
Loading...<p><strong>Introdução:</strong> a satisfação do usuário é um importante desfecho em saúde e item relevante no processo de avaliação e planejamento de Serviços de Saúde. No Serviço de Saúde Comunitária do Grupo Hospitalar Conceição (SSC/GHC), a avaliação baseia-se nos indicadores de saúde das suas doze Unidades. A Unidade de Saúde Jardim Itu (USJI) integra o SSC/GHC e pretende incorporar no seu processo avaliativo a satisfação do usuário. <strong>Objetivos:</strong> conhecer o grau de satisfação dos usuários da USJI com o acesso, a longitudinalidade, a relação médico-pessoa e a integralidade dos serviços oferecidos e verificar se há associação entre o grau de satisfação geral dos usuários e diversos aspectos. <strong>Materiais e Métodos:</strong> estudo transversal, com usuários da USJI, maiores de 18 anos, que consultaram na semana anterior à amostragem e no período entre 3 e 12 meses antecedentes. São selecionados 20 usuários, por semana, do total de consultas médicas realizadas. A satisfação é medida em escala de Likert por um questionário validado no Brasil composto de questões referentes à última consulta. É excluído do estudo o usuário que não possui capacidade de responder ao questionário, que mora fora da área de abrangência da USJI ou cujo atendimento foi realizado em visita domiciliar. <strong>Resultados:</strong> foram selecionados até o momento 58 usuários, com 8 exclusões e 31 questionários respondidos. A coleta de dados primários se dará até a terceira semana de dezembro. O banco de dados está sendo construído no software Epi-Info. Em janeiro serão realizadas a digitação e análise dos dados.</p>



Loading...
Loading...<p>Nesse primeiro número de 2011, comemoramos uma nova etapa da Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (RBMFC). O que estamos chamando de “nova etapa” compreende algumas mudanças importantes que vinham sendo gestadas nos últimos anos e que foram efetivamente implantadas neste ano: uma renovação da Política Editorial e, principalmente, o lançamento do portal virtual da Revista (www.rbmfc.org.br).</p><p>Todas essas mudanças, que detalharemos um pouco mais a seguir, visam basicamente melhorar a qualidade editorial e o alcance da RBMFC, pensando sempre nos seus principais protagonistas: leitores, autores e revisores de artigos. O objetivo da RBMFC continua o mesmo desde sua criação em 2004: ser veículo de divulgação do conhecimento científico produzido nacional e internacionalmente na área da Medicina de Família e Comunidade (MFC) e da Atenção Primária à Saúde (APS), incluindo todos os seus aspectos, de forma interdisciplinar: prática clínica, formação profissional, organização dos serviços e políticas públicas de saúde.</p><p>Quanto às inovações da Política Editorial, podemos destacar a criação de novas Seções na Revista, que visam ampliar as possibilidades de submissão para os autores para além das já tradicionais, tornando potencialmente mais interessante e dinâmica a leitura da RBMFC. Podemos citar alguns exemplos:</p><p>As seções Debate e Perspectiva têm a ideia de promover um espaço permanente para as opiniões qualificadas de nossos leitores e autores frente a temas atuais da MFC e APS. Visam também estimular a discussão e “oxigenar” controvérsias sobre aspectos relevantes dessas áreas do conhecimento. Nesta edição, estamos inaugurando um espaço permanente de debate intitulado “A APS que Queremos”, inicialmente com alguns textos encomendados<sup>1-5</sup>. O objetivo é fomentar a discussão aberta, colaborativa e ética sobre um tema extremamente atual; e, nesse sentido, estamos esperançosos de que novos autores nos enviarão novas contribuições com diferentes opiniões e pontos-de-vista. Propostas de novos assuntos ou temas para debate também são bem-vindas.</p><p>A seção Casos Clínicos visa estimular a publicação das experiências clínicas singulares que envolvem o trabalho do médico de família e dos profissionais da APS. Tem o objetivo também de estimular o relato de casos que explorem os componentes do Método Clínico Centrado na Pessoa, ferramenta fundamental para a abordagem clínica na MFC e APS. Nesta edição, inauguramos essa seção com o interessante artigo de um colega de Portugal<sup>6</sup>, que nos relata sua experiência clínica e de coordenação de cuidados frente a uma pessoa em estágio terminal de vida.</p><p>A seção Memória inclui textos sobre profissionais ou fatos históricos que tiveram destacada contribuição para a MFC e a APS no Brasil e no mundo. Nesta edição, abrimos esse espaço com uma homenagem a Cecil Helman<sup>7</sup>, um dos ícones internacionais da Antropologia Médica, cujas ideias e textos exerceram e ainda exercem grande influência sobre a MFC e APS brasileiras.</p><p>Outras seções também foram criadas, mas ainda não inauguradas, como, por exemplo, a seção Atualização – que estimula a submissão de apresentações sucintas e comentadas de artigos de impacto publicados recentemente na área da MFC e APS – e a seção Espaço Aberto, que incentiva o envio de textos de reflexão pessoal com maior liberdade formal, incluindo lingua-gens poéticas ou literárias, ou ainda a publicação de entrevistas com depoimentos de pessoas ou profissionais, cujas histórias de vida ou realizações sejam relevantes para a MFC ou APS.</p><p>Nesta edição, trazemos ainda outros artigos originais e de revisão, como também um relato de experiência e resumos de trabalhos do 2º Salão de Pesquisa em Medicina de Família e Comunidade do Rio Grande do Sul<sup>8</sup>. Assim, a RBMFC também tem se consolidado como veículo de comunicação científica das entidades de excelência em MFC, por meio das parcerias estabelecidas ao longo de sua existência.</p><p>Em relação à criação do nosso portal virtual, o mesmo possibilitará uma evolução sem precedentes para a RBMFC, permitindo, dentre diversos benefícios, maior facilidade de acesso ao conteúdo atual e pregresso da Revista, a implantação da submissão online (já em funcionamento) e a progressiva ampliação do número de artigos publicados por ano. Também está em andamento a implementação dos registros de DOI (Digital Object Identifier) para cada artigo publicado, que é um padrão internacional para identificação de documentos na rede de computadores, garantindo meios de acesso permanente aos links e facilitando a citação cruzada de artigos com outras publicações no Brasil e no mundo. Todos esses aspectos suportarão uma evolução quantitativa e qualitativa natural da RBMFC, que culminará, num futuro próximo, com a sua indexação nas grandes bases de dados nacionais e internacionais, como Lilacs, SciELO, Scopus e Medline.</p><p>Outros aspectos a se comemorar são o crescimento e a diversificação do número de revisores colaboradores da RBMFC (hoje, aproximadamente, 80 conselheiros e pareceristas com formação científica sólida), além do remodelamento da Revista impressa, mais moderna, repaginada, com nova capa, seguindo a tendência editorial dos mais conceituados Journals.</p><p>Desta maneira, a RBMFC continuará trazendo e publicando questões emergentes e fundamentais na área da MFC e APS, agora com um incremento considerável de qualidade e visibilidade, cumprindo seu papel de uma revista científica de relevância e espelhando uma prática de ciência plural, acessível e facilitadora na divulgação das contribuições intelectuais brasileiras e internacionais.</p>

Loading...
Loading...
<p>A Antropologia Médica e a Medicina de Família e Comunidade brasileiras perderam uma referência importante com o falecimento precoce de Cecil Helman, aos 65 anos de idade.</p><p>Nascido na África do Sul, no seio de uma família de médicos, formou-se em Medicina naquele país, migrando logo após para a Inglaterra, onde trabalhou como <em>General Practitioner </em>vinculado ao <em>National Health Service </em>(NHS) por quase 30 anos.</p><p>Desde cedo, interessou-se pela Antropologia Médica, vindo a realizar uma sólida formação acadêmica e assumindo uma posição de liderança mundial na área, sendo esse pioneirismo reconhecido por meio de importantes prêmios.</p><p>Helman era um apaixonado pelo Brasil e exerceu grande influência na Antropologia Médica brasileira, especialmente a partir do seu principal livro “Cultura, Saúde e Doença”, publicado em 1984 – a primeira edição brasileira foi publicada dez anos após. Com certeza, essa é a sua obra mais conhecida, com traduções em várias línguas e que chegou à sua 5ª edição brasileira em 2009. É nesse livro que o autor esmiúça a relação dos aspectos culturais com o processo saúde-doença, conceito fundamental para uma prática em saúde que se pretenda efetiva e culturalmente sensível.</p><p>Uma característica que marcou a sua carreira era a facilidade de transitar, como poucos, entre a antropologia médica e a prática médica em si, conseguindo estabelecer uma ligação entre esses dois campos do conhecimento e apontando, com clareza, a sua complementaridade. Isso explica como ele permaneceu militando de forma tão extraordinária nessas duas áreas por tanto tempo, colocando em prática o que ele próprio chamava de “antropologia médica clinicamente aplicada”.</p><p>Essa característica ficou marcada também no seu livro, que buscava sempre explicitar essa relação por meio de inúmeros exemplos. Embora com conteúdo aprofundado, foi escrito de modo a propiciar uma leitura agradável, sendo adotado como referência bibliografia por inúmeros cursos teóricos e contribuído para tornar a Antropologia Médica mais acessível aos profissionais de saúde. Por outro lado, consegue igualmente mostrar a complexidade da prática em saúde também aos profissionais oriundos das Ciências Sociais.</p><p>Helman parecia não se acomodar. Cada edição do livro continha novos capítulos, indicando a necessidade de estar em sintonia com o que acontecia ao seu redor e com as mudanças constantes do mundo atual. Isso explica, por exemplo, a inclusão, na última edição, dos capítulos sobre migração, telemedicina e internet.</p><p>Helman esteve várias vezes no Brasil, país que admirava pela diversidade cultural e pelo rico trabalho desenvolvido pelos Médicos de Família e Comunidade junto à população. Participou de diversos eventos da nossa especialidade e desenvolveu projetos de pesquisa, tendo feito inúmeros amigos. Extremamente cordial e com uma voz mansa, sempre se mostrava curioso em ouvir a exuberância de aspectos culturais trazidos pelo público nas suas palestras.</p><p>O seu último livro, <em>The Suburban Shaman</em> (publicado em 2004 e sem tradução para o português) é um fantástico relato semibiográfico de casos atendidos por ele durante a sua trajetória profissional. Coerentemente com a ideia defendida por Helman, de que a “arte médica é uma arte literária”, o livro reúne ótimos exemplos da essência da prática do médico de família, ou seja, conseguir estabelecer uma comunicação adequada com o paciente, simplesmente conseguir <em>ouvi-lo</em> em sua plenitude.</p><p>A sua obra evidencia, de modo contundente, que a compreensão da “narrativa” de cada ser humano sob os nossos cuidados é o que torna possível colocar-se na posição do paciente e entender a sua história, a sua cultura, os seus “personagens”, o contexto em que estamos inseridos e o quanto esse conjunto é importante nas questões relacionadas à saúde e à doença.</p>
<p>The Brazilian Medical Anthropology and Family and Community Medicine lost an important reference with the early passing of Cecil Helman, at the age of 65.</p><p>Born in South Africa, amongst a family of doctors, he graduated in Medicine there, and then migrated to England, where he worked as a General Practitioner associated to the National Health Service (NHS) for almost 30 years.</p><p>Early on, he was interested in medical Anthropology, accomplishing a solid academic background and assuming a position of global leadership in the area, being a pioneer recognized through important awards.</p><p>Helman was passionate about Brazil and had a big influence in the Brazilian medical Anthropology, especially from his main book “Culture, Health and Illness”, published in 1984 – the first Brazilian edition was published 10 years later. Certainly, this is his best known work, translated into many languages and that had a 5th Brazilian edition in 2009. It is in this book that the author scrutinizes the relationship of cultural factors with the health-disease process, a fundamental concept for a practice in health that intends to be effective and culturally sensitive.</p><p>A characteristic that marked his career was that he could easily go from medical Anthropology to Medicine itself like no other, linking the two fields of knowledge and pointing out the complementarity of them. This explains how he remained militating in such an extraordinary way in both areas for so long, putting into practice what he called “Clinically Applied Medical Anthropology”.</p><p>That characteristic of him was also marked on his book, which always pursued to explicit that relation through numerous examples. Although the book presents depth content, it was written in a way so the reading is pleasant, being used as bibliographic reference by numerous theoretical courses and it has also contributed to make medical Anthropology more accessible to health professionals. On the other hand, it also illustrates the complexity of health practice to the professionals of social sciences.</p><p>It seemed that Helman was never content. Each book edition came with new chapters, indicating the need to be in sync with what was happening around him and the constant changes of the current world. That explains, for instance, the inclusion of a chapter about migration, telemedicine and internet on the last edition of the book.</p><p>Helman has been in Brazil many times, country which he admired for its cultural diversity and great work developed by the Family and Community doctors with the population. He participated in many events of our specialty and developed research projects, having numerous friends. Extremely friendly and with a soft voice, he was always interested in hear about the exuberance of cultural aspects brought from the audience on his lectures.</p><p>His last book, The Suburban Shaman (2004), is a fantastic semi-biographical report of the cases he attended over his professional career. Consistent with the idea, Helman supported that “medical art is a literary art”, and the book gathers great examples of the essence of family doctors practice, in other words, the capacity to establish proper communication with the patient, simply listen to him/her copiously.</p><p>His work shows in a poignant way that comprehending the “narrative” of each human being under our care is what makes possible to put ourselves in the patients’ position and to understand their history, culture, their “characters”, the context in which we are inserted now and how important the combination of these points is to matters of health and disease.</p>
<p>La Antropología Médica y la Medicina Familiar brasileña han perdido una referencia importante con el fallecimiento precoz de Cecil Helman, a los 65 años de edad.</p><p>Nascido en África del Sur, en una familia de médicos, se recibió de medico en aquél país, migrando luego después para Inglaterra, donde trabajó como General Practitioner vinculado al National Health Service (NHS) por 30 años.</p><p>Desde temprano, se interesó por la antropología médica, realizando una sólida formación académica y asumiendo una posición de liderazgo mundial en el área, pionero reconocido a través de importantes premios.</p><p>Helman era un apasionado por Brasil y ejerció gran influencia en la antropología médica brasileña, especialmente a partir de su principal libro “Cultura, Salud y Enfermedades”, publicado en 1984 -la primera edición brasileña se publicó diez años después. Con seguridad, está es su obra más conocida, con traducciones en varios idiomas y que llegó a su 5ª edición brasileña en 2009. Es en este libro que el autor escudriña la relación de los aspectos culturales como el proceso salud-enfermedad, conceptos fundamentales para una práctica en salud que se pretenda efectiva y culturalmente sensible.</p><p>Una característica que marcó su carrera fue la facilidad de transitar, como pocos, entre la antropología médica y la práctica médica, logrando establecer una ligación entre eses dos campos del conocimiento y apuntando, con claridad, su complementariedad. Eso explica como él ha permanecido actuando de forma tan extraordinaria en estas dos áreas por tanto tiempo, aplicando lo que llamaba de “antropología médica clínicamente aplicada.”</p><p>Esa característica quedó marcada también en su libro, que buscaba siempre explicitar esa relación a través de numerosos ejemplos. Aunque con contenido profundo, fue escrito para proporcionar una lectura agradable, siendo adoptado como referencia bibliográfica por numerosos cursos teóricos y contribuido para hacer la antropología médica más accesible a los profesionales de salud. Por otro lado, consigue igualmente mostrar la complejidad de la práctica en salud también a los profesionales oriundos de las ciencias sociales.</p><p>Helman no se acomodaba. Cada edición del libro contenía nuevos capítulos, indicando la necesidad de estar en sintonía con lo que pasaba en su alrededor y con los cam-bios constantes del mundo actual. Eso explica, por ejemplo, la inclusión, en la última edición, de los capítulos sobre migración, telemedicina e internet.</p><p>Helman estuvo varias veces en Brasil, país que admiraba por la diversidad cultural y por el rico trabajo desarrollado por los médicos familiares junto a la población. Participó de diversos eventos de nuestra especialidad y desarrolló proyectos de pesquisa, habiendo hecho varios amigos. Extremamente cordial y con una voz mansa, siempre se mostraba curioso en oír la exuberancia de aspectos culturales presentado por el público en sus palestras.</p><p>Su último libro, The Suburban Shaman (publicado en 2004 y sin traducción a portugués) es un fantástico relato semi-biográfico de casos atendidos por él en su trayectoria profesional. Coherentemente con la idea defendida por Helman, de que el “arte médica es un arte literaria”, el libro reúne excelentes ejemplos de la esencia de la práctica del médico familiar, es decir, lograr una comunicación adecuada con el paciente, simple-mente conseguir oírlo en su plenitud.</p><p>Su obra evidencia, de modo contundente, que la comprensión de la “narrativa” de cada ser humano debajo los nuestros cuidados es los que torna posible ponerse en la posición del paciente y entender su historia, su cultura, y sus “personajes”, el contexto en que estamos inseridos y lo cuanto ese conjunto es importante en las cuestiones relacionadas a la salud y la enfermedad.</p>

Loading...
Loading...
<p>The Brazilian Medical Anthropology and Family and Community Medicine lost an important reference with the early passing of Cecil Helman, at the age of 65.</p><p>Born in South Africa, amongst a family of doctors, he graduated in Medicine there, and then migrated to England, where he worked as a General Practitioner associated to the National Health Service (NHS) for almost 30 years.</p><p>Early on, he was interested in medical Anthropology, accomplishing a solid academic background and assuming a position of global leadership in the area, being a pioneer recognized through important awards.</p><p>Helman was passionate about Brazil and had a big influence in the Brazilian medical Anthropology, especially from his main book “Culture, Health and Illness”, published in 1984 – the first Brazilian edition was published 10 years later. Certainly, this is his best known work, translated into many languages and that had a 5th Brazilian edition in 2009. It is in this book that the author scrutinizes the relationship of cultural factors with the health-disease process, a fundamental concept for a practice in health that intends to be effective and culturally sensitive.</p><p>A characteristic that marked his career was that he could easily go from medical Anthropology to Medicine itself like no other, linking the two fields of knowledge and pointing out the complementarity of them. This explains how he remained militating in such an extraordinary way in both areas for so long, putting into practice what he called “Clinically Applied Medical Anthropology”.</p><p>That characteristic of him was also marked on his book, which always pursued to explicit that relation through numerous examples. Although the book presents depth content, it was written in a way so the reading is pleasant, being used as bibliographic reference by numerous theoretical courses and it has also contributed to make medical Anthropology more accessible to health professionals. On the other hand, it also illustrates the complexity of health practice to the professionals of social sciences.</p><p>It seemed that Helman was never content. Each book edition came with new chapters, indicating the need to be in sync with what was happening around him and the constant changes of the current world. That explains, for instance, the inclusion of a chapter about migration, telemedicine and internet on the last edition of the book.</p><p>Helman has been in Brazil many times, country which he admired for its cultural diversity and great work developed by the Family and Community doctors with the population. He participated in many events of our specialty and developed research projects, having numerous friends. Extremely friendly and with a soft voice, he was always interested in hear about the exuberance of cultural aspects brought from the audience on his lectures.</p><p>His last book, The Suburban Shaman (2004), is a fantastic semi-biographical report of the cases he attended over his professional career. Consistent with the idea, Helman supported that “medical art is a literary art”, and the book gathers great examples of the essence of family doctors practice, in other words, the capacity to establish proper communication with the patient, simply listen to him/her copiously.</p><p>His work shows in a poignant way that comprehending the “narrative” of each human being under our care is what makes possible to put ourselves in the patients’ position and to understand their history, culture, their “characters”, the context in which we are inserted now and how important the combination of these points is to matters of health and disease.</p>
<p>La Antropología Médica y la Medicina Familiar brasileña han perdido una referencia importante con el fallecimiento precoz de Cecil Helman, a los 65 años de edad.</p><p>Nascido en África del Sur, en una familia de médicos, se recibió de medico en aquél país, migrando luego después para Inglaterra, donde trabajó como General Practitioner vinculado al National Health Service (NHS) por 30 años.</p><p>Desde temprano, se interesó por la antropología médica, realizando una sólida formación académica y asumiendo una posición de liderazgo mundial en el área, pionero reconocido a través de importantes premios.</p><p>Helman era un apasionado por Brasil y ejerció gran influencia en la antropología médica brasileña, especialmente a partir de su principal libro “Cultura, Salud y Enfermedades”, publicado en 1984 -la primera edición brasileña se publicó diez años después. Con seguridad, está es su obra más conocida, con traducciones en varios idiomas y que llegó a su 5ª edición brasileña en 2009. Es en este libro que el autor escudriña la relación de los aspectos culturales como el proceso salud-enfermedad, conceptos fundamentales para una práctica en salud que se pretenda efectiva y culturalmente sensible.</p><p>Una característica que marcó su carrera fue la facilidad de transitar, como pocos, entre la antropología médica y la práctica médica, logrando establecer una ligación entre eses dos campos del conocimiento y apuntando, con claridad, su complementariedad. Eso explica como él ha permanecido actuando de forma tan extraordinaria en estas dos áreas por tanto tiempo, aplicando lo que llamaba de “antropología médica clínicamente aplicada.”</p><p>Esa característica quedó marcada también en su libro, que buscaba siempre explicitar esa relación a través de numerosos ejemplos. Aunque con contenido profundo, fue escrito para proporcionar una lectura agradable, siendo adoptado como referencia bibliográfica por numerosos cursos teóricos y contribuido para hacer la antropología médica más accesible a los profesionales de salud. Por otro lado, consigue igualmente mostrar la complejidad de la práctica en salud también a los profesionales oriundos de las ciencias sociales.</p><p>Helman no se acomodaba. Cada edición del libro contenía nuevos capítulos, indicando la necesidad de estar en sintonía con lo que pasaba en su alrededor y con los cam-bios constantes del mundo actual. Eso explica, por ejemplo, la inclusión, en la última edición, de los capítulos sobre migración, telemedicina e internet.</p><p>Helman estuvo varias veces en Brasil, país que admiraba por la diversidad cultural y por el rico trabajo desarrollado por los médicos familiares junto a la población. Participó de diversos eventos de nuestra especialidad y desarrolló proyectos de pesquisa, habiendo hecho varios amigos. Extremamente cordial y con una voz mansa, siempre se mostraba curioso en oír la exuberancia de aspectos culturales presentado por el público en sus palestras.</p><p>Su último libro, The Suburban Shaman (publicado en 2004 y sin traducción a portugués) es un fantástico relato semi-biográfico de casos atendidos por él en su trayectoria profesional. Coherentemente con la idea defendida por Helman, de que el “arte médica es un arte literaria”, el libro reúne excelentes ejemplos de la esencia de la práctica del médico familiar, es decir, lograr una comunicación adecuada con el paciente, simple-mente conseguir oírlo en su plenitud.</p><p>Su obra evidencia, de modo contundente, que la comprensión de la “narrativa” de cada ser humano debajo los nuestros cuidados es los que torna posible ponerse en la posición del paciente y entender su historia, su cultura, y sus “personajes”, el contexto en que estamos inseridos y lo cuanto ese conjunto es importante en las cuestiones relacionadas a la salud y la enfermedad.</p>
<p>A Antropologia Médica e a Medicina de Família e Comunidade brasileiras perderam uma referência importante com o falecimento precoce de Cecil Helman, aos 65 anos de idade.</p><p>Nascido na África do Sul, no seio de uma família de médicos, formou-se em Medicina naquele país, migrando logo após para a Inglaterra, onde trabalhou como <em>General Practitioner </em>vinculado ao <em>National Health Service </em>(NHS) por quase 30 anos.</p><p>Desde cedo, interessou-se pela Antropologia Médica, vindo a realizar uma sólida formação acadêmica e assumindo uma posição de liderança mundial na área, sendo esse pioneirismo reconhecido por meio de importantes prêmios.</p><p>Helman era um apaixonado pelo Brasil e exerceu grande influência na Antropologia Médica brasileira, especialmente a partir do seu principal livro “Cultura, Saúde e Doença”, publicado em 1984 – a primeira edição brasileira foi publicada dez anos após. Com certeza, essa é a sua obra mais conhecida, com traduções em várias línguas e que chegou à sua 5ª edição brasileira em 2009. É nesse livro que o autor esmiúça a relação dos aspectos culturais com o processo saúde-doença, conceito fundamental para uma prática em saúde que se pretenda efetiva e culturalmente sensível.</p><p>Uma característica que marcou a sua carreira era a facilidade de transitar, como poucos, entre a antropologia médica e a prática médica em si, conseguindo estabelecer uma ligação entre esses dois campos do conhecimento e apontando, com clareza, a sua complementaridade. Isso explica como ele permaneceu militando de forma tão extraordinária nessas duas áreas por tanto tempo, colocando em prática o que ele próprio chamava de “antropologia médica clinicamente aplicada”.</p><p>Essa característica ficou marcada também no seu livro, que buscava sempre explicitar essa relação por meio de inúmeros exemplos. Embora com conteúdo aprofundado, foi escrito de modo a propiciar uma leitura agradável, sendo adotado como referência bibliografia por inúmeros cursos teóricos e contribuído para tornar a Antropologia Médica mais acessível aos profissionais de saúde. Por outro lado, consegue igualmente mostrar a complexidade da prática em saúde também aos profissionais oriundos das Ciências Sociais.</p><p>Helman parecia não se acomodar. Cada edição do livro continha novos capítulos, indicando a necessidade de estar em sintonia com o que acontecia ao seu redor e com as mudanças constantes do mundo atual. Isso explica, por exemplo, a inclusão, na última edição, dos capítulos sobre migração, telemedicina e internet.</p><p>Helman esteve várias vezes no Brasil, país que admirava pela diversidade cultural e pelo rico trabalho desenvolvido pelos Médicos de Família e Comunidade junto à população. Participou de diversos eventos da nossa especialidade e desenvolveu projetos de pesquisa, tendo feito inúmeros amigos. Extremamente cordial e com uma voz mansa, sempre se mostrava curioso em ouvir a exuberância de aspectos culturais trazidos pelo público nas suas palestras.</p><p>O seu último livro, <em>The Suburban Shaman</em> (publicado em 2004 e sem tradução para o português) é um fantástico relato semibiográfico de casos atendidos por ele durante a sua trajetória profissional. Coerentemente com a ideia defendida por Helman, de que a “arte médica é uma arte literária”, o livro reúne ótimos exemplos da essência da prática do médico de família, ou seja, conseguir estabelecer uma comunicação adequada com o paciente, simplesmente conseguir <em>ouvi-lo</em> em sua plenitude.</p><p>A sua obra evidencia, de modo contundente, que a compreensão da “narrativa” de cada ser humano sob os nossos cuidados é o que torna possível colocar-se na posição do paciente e entender a sua história, a sua cultura, os seus “personagens”, o contexto em que estamos inseridos e o quanto esse conjunto é importante nas questões relacionadas à saúde e à doença.</p>

Loading...
Loading...<p>Recentemente um tema interessante alvoroçou os ânimos na lista de discussão virtual (<strong>sbmfc@googlegroups.com</strong>) da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC): a insatisfação com a carga horária de quarenta horas semanais na Estratégia de Saúde da Família (ESF). A polêmica é compreensível: a ESF é hoje o principal mercado de trabalho do Médico de Família e Comunidade (MFC). Além disso, é um modelo de atenção primária que valoriza nossa especialidade, e que inclusive contou com nossa participação em sua concepção. Se não é ideal, a ESF é o mais próximo do que os MFC’s creem ser adequado às necessidades da população brasileira, ao menos se comparada com as iniciativas que até hoje existiram em atenção primária no país. Os MFC’s nutrem um carinho pela ESF, muito porque ela parece estar realmente melhorando o cuidado das pessoas no Sistema Único de Saúde. Mas alguns profissionais começam a questionar alguns aspectos do modelo, e a dedicação de quarenta horas semanais que a Estratégia exige parece ser o primeiro ponto de discórdia. <br /><br />Antes de colocar algumas impressões pessoais a convite da SBMFC, selecionei alguns trechos do embate virtual vivenciado nas últimas semanas, os adaptando pelos limites de tamanho de meu texto. Os trechos ilustram a pluralidade de ideias. Mas, como irei defender logo adiante, elas não são divergentes. Vejamos os argumentos de alguns colegas que se posicionam a favor da flexibilização: <br /><br /><em>“Provavelmente quem trabalhou razoável tempo no interior na APS, ou na periferia pobre e violenta da metrópole, reconhece que trabalhar 8 horas por dia na Saúde da Família é excessivo, cansativo, tedioso. A gente chega acabado em casa se pega uns casos “daqueles”, em meio a um dia cheio. Se a gente começa (quando eu começava) às 8h clinicando (comumente apressado, tentando viabilizar acesso e, por isso, considerando a pressão da demanda espontânea) até de tarde sem enrolar, dedicando-se aos pacientes com energia, lá pelas 15:30h - 16h já se está muito cansado, às 17 já está sem paciência para ouvir, ficando seco e retrancado... já fica querendo “chutar” os pacientes” </em><br /><em></em></p><p><em>“Há necessidade de flexibilizar a carga horária para 20, 30 e 40 horas. O sistema necessita ser democrático e pluralista. Pen-so que se o PSF fosse reduzido para 30 horas (semanais) com turnos das 7h às 13h & 13h às 19h, aumentaríamos o numero de horas de funcionamento dos centros de saúde, reduziríamos a carga horária dos profissionais e manteríamos os salários.” </em><br /><em></em></p><p><em>“O estresse também esta na carga de trabalho devido a uma área de abrangência desproporcional. Reduzir de 4000 para 2000 mil pessoas sob nossa responsabilidade também é importante. Com isso... tenho menos tempo exposto no ambiente de estresse...” </em><br /><em></em></p><p><em>“Questiono também o argumento de que muitos médicos trabalham até 80h semanais e que por esse motivo questionar às 40h seria no mínimo inadequado. Não acho que trabalhar até 80h/sem. deva ser considerado ideal, muito menos normal. Tenho visto resultados disso: pacientes atendidos com agressividade e grosseria em Pronto-Socorro por médicos estressados e sobrecarregados, ou recebendo receitas sem nem serem ouvidos e examinados minimamente; sem contar o grande número de médicos com transtornos mentais com certeza com grande influência da sobrecarga de trabalho”. </em><br /><br />Por outro lado, as opiniões de quem defende a jornada atual: <br /><br /><em>“O que acho da carga horária de 40hs para quem está na assistência: INSUFICIENTE! Fizemos uma pesquisa com os 136 médicos das equipes acompanhadas pela parceira onde trabalho em 2009: 70,21% consideravam 40hs como o mais adequado! Com menos... não me imagino fazendo muito mais que Atenção Básica tradicional com outro nome...” </em><br /><em></em></p><p><em>“... em lugares pequenos,... se baixar as horas de todos, acaba o acesso ao sistema.” </em><br /><em></em></p><p><em>“Não acho que a redução da carga horária irá atrair tantos profissionais com o perfil que precisamos para a APS. Quem gosta de APS está nela com 40 ou 30 horas. Pode sim atrair médicos que usaram o PSF como uma “boquinha” a mais. Meu único pesar são as mães com filhos pequenos. Infelizmente, elas ficam presas nesta carga horária.” </em><br /><em></em></p><p><em>“... não há repasse do Ministério para carga horária menor de 40 horas para médicos; dificulta a possibilidade de reuniões, discussões técnicas e educações permanentes,... e a gestão da unidade.” </em><br /><br />Refletindo sobre as contribuições dos colegas, o pontochave do que gostaria de dizer é que não me pareceu haver dicotomia entre os que abominam e os que defendem às quarenta horas. Há, sim, uma série de insatisfações outras, que acabam por serem difíceis de tolerar por quarenta horas, toda semana, durante vários anos, sem expectativa de melhora em curto prazo. Essas insatisfações são de diversas naturezas. Não penso que devamos ter um contrato para cada profissional. Mas o fortalecimento da APS no SUS depende do aumento do número de médicos dispostos a fazer carreira ali. Então, precisamos tornar a carreira em APS atrativa.</p><p>A meu ver, nossa discussão converge. Converge no sentido de adequarmos a jornada de trabalho do MFC (e das outras profissões de saúde da equipe) na ESF, levando em conta necessidades como 1) disponibilidade de tempo para estudar e se aprimorar, 2) redução da população adscrita por equipe, 3) melhoria salarial e de infraestrutura das Unidades, para que, no mínimo, o MFC mantenha-se com boa autoestima, e 4) respeito às necessidades diversas de cada fase do ciclo vital dos profissionais, como se ter tempo para educar os filhos, ou trabalhar menos na assistência quando já não se é tão jovial.</p><p>Ainda ressalto, por minha conta, dois outros aspectos que julgo fundamentais: o primeiro diz respeito a sanar a precariedade dos vínculos trabalhistas na APS; ter estabilidade e, principalmente, ver horizonte de progresso, “ver futuro na profissão”, é fundamental para que alguém se dedique integralmente a uma atividade laboral única. No contexto atual, ter tempo para outro emprego acaba sendo por vezes necessário. O segundo aspecto que recordo é que nossa especialidade não é exclusivamente uma profissão de carreira pública (quiséramos haver uma!). O MFC pode e deve aprender a exercer sua atividade na iniciativa privada. Laborar neste contexto, respeitados os princípios éticos do exercício da medicina, é uma experiência formidável, que permite a aproximação com pessoas que tem outras exigências, outros posicionamentos políticos, mas que também precisam de alguém que gerencie seu cuidado. A meu ver, nossa especialidade, e a própria APS, não podem depender de ideologia política única, sob pena de se tornar desinteressante aos olhos dos estudantes de medicina e dos médicos que ainda não escolheram alguma especialidade.</p><p>Por fim, creio que a discussão apenas começou. A SBMFC já pensa em criar um grupo de trabalho para revisar o Plano Nacional de Atenção Básica e sugerir alterações. A tarefa será grandiosa, e pode contribuir muito para o desenvolvimento da APS no Brasil.</p><p>Encerro minha opinião com duas outras citações extraídas de nossa discussão virtual, que creio, sumarizam o que penso sobre o assunto. <br /><br /><em>“O país é enorme com tantas realidades, o molde não pode ser um só... Mas sem abrir mão dos princípios do MFC...” </em><br /><em></em></p><p><em>Por isso, a questão da sobrecarga é multifatorial... e temos que pensar em soluções multifatoriais.”</em></p>

Loading...
Loading...<p>Diante da polêmica estabelecida<sup>1</sup>, as perguntas a serem respondidas neste tema são:</p><p>1-É necessário uma CH de 40 horas semanais para realizar um trabalho de qualidade na APS?</p><p>2-Uma CH de 40 horas permite uma qualidade de vida ao MFC?</p><p>3-É necessário um MFC trabalhar 40 horas semanais para justificar uma remuneração que permita ter uma vida com qualidade?</p><p>4-A APS é um cenário que permite um trabalho qualificado?</p><p>5-Cuidar da saúde, fazendo consultas e outras intervenções, é como uma linha de montagem, onde cada atendimento é um produto que pode ser “confeccionado” oito horas por dia, cinco dias por semana?</p><p>Então QUALIDADE é a palavra-chave. Qualidade do trabalho, qualidade de vida, remuneração qualificada. Não é a somente as 40 horas que determina a qualidade. O tempo é relativizado por diversas variáveis: a pessoa que o utiliza, a qualificação individual, a equipe em que está inserido, as tarefas a serem executadas, a satisfação que a atividade gera, o contexto em que estamos atuando, a complexidade das tarefas e as condições disponibilizadas (como ser responsável por uma população de no máximo 2.200 pessoas). Talvez oferecer contratos opcionais de 30 e de 40 horas seja uma alternativa. A APS não é cenário tranquilo. Cumprir 40 horas de trabalho efetivo em APS, com a diversidade da demanda e a responsabilidade que caracterizam a atuação do MFC, e as condições usuais das Unidades é extremamente desgastante.</p><p>Somos mais realistas que o Rei. Como temos uma “veia” ideológica e nos responsabilizamos por fazer as coisas darem certo, temos a tendência de nos tornar nossos próprios patrões, e com isso exigimos mais que eles de nós mesmos. O tempo é relativizado por diversas variáveis: a pessoa que o utiliza, as tarefas a serem executadas, a satisfação que a atividade gera, o contexto em que estamos atuando, a complexidade da tarefa e as condições disponibilizadas.</p><p>Com tudo isso dizer que para trabalhar na APS e fazer um bom trabalho é necessário 20, 30 ou 40 horas é uma falácia. Como estas variáveis são difíceis de estabelecer para cada local, o que sabemos e desejamos é que exista uma homogeneidade em todas elas, com uma remuneração aproximada.</p><p>Ao longo de 27 anos de prática em regime CLT, passei por vários momentos. O primeiro foi do contrato por 24 horas semanais, pois nenhum médico tinha contrato por mais tempo que isso para poder ter seus três ou mais empregos. Nossos ideais como médicos emergentes na APS eram tempo integral e dedicação exclusiva com salário condizente, é claro ($ 8.000 era o almejado)! Só assim conseguiríamos fazer uma APS de qualidade. Conseguimos 48 horas semanais (40 de segunda a sexta + um final de semana com sábado e domingo das 8-20), para justificar um salário adequado. Por contingências trabalhistas da instituição, isto foi tendo que se adequar e hoje é uma CH de 36 horas semanais com banco de horas, de segunda a sexta, o que representa realizar 6 horas e 18 minutos por dia. Com o banco de horas podese cumprir no mínimo 4 horas e 28 minutos num dia. As horas faltantes podem ser compensadas a mais em outro dia. Isto facilita, pois em determinados dias pode-se trabalhar mais e em outros menos. Como tudo tem prós e contras. Mas é bom.</p><p>Com relação ao desempenho e cumprimento das tarefas em APS, é possível desempenhar em 30 ou 36 horas o que fazemos em 40 horas? Acredito que sim, é apenas uma questão de organizar o tempo, redefinir papéis e metas da equipe e ser responsável por uma população de no máximo 2.200 pessoas. Cumprir 40 horas de trabalho efetivo em APS, com a diversidade da demanda e a responsabilidade que caracterizam a atuação do MFC é extremamente desgastante. Se contarmos os tempos de deslocamento ao local de trabalho, ser médico da APS torna-se escolha de abnegados. Além do que muitos gestores começam a inventar metas para rechear esta carga: <em>número de</em> VDs/mês (absurdo! pois VD é cara e deve ter critérios em sua realização); <em>número de atendimentos</em>/mês (o ideal é que as pessoas tenham o cuidado disponível, o utilizem com critério de acordo com suas necessidades, mas não o necessitem a partir do momento em que sua saúde melhora), e outras tantas.</p><p>A vida pessoal, a família é a razão de trabalharmos, não o contrário.</p><p>Quando passamos mais tempo no trabalho (ir-estar-vir) é porque algo esta mal. Diz-se que não se pode flexibilizar a APS para que não se desestruture. Acho que esta se desestruturando pela rigidez, pela baixa inclusão tecnológica, pela insuficiente polivalência das equipes, pela demora em atender a classe média, pelos vínculos precarizados, por estabelecer metas que retiram a autonomia do MFC e pela falta de perspectiva enquanto carreira.</p><p>Consensos são difíceis, criar alternativas e oferecer opções pode ser uma saída.</p>

Loading...
Loading...<p>A formação de especialistas no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS), área privilegiada de atuação do Médico de Família e Comunidade (MFC), tem suscitado polêmicas no Brasil desde1976, quando foram criados os três programas pioneiros de Residência Médica (PRM) no país.</p><p>Questionava-se, então, a necessidade de se instituir pro-gramas de pós-graduação neste âmbito. Os defensores dessa tese confundiam APS com atenção simplificada, voltada para o atendimento de problemas de saúde igualmente simples.</p><p>Esta concepção reducionista não faz justiça à complexidade das questões de saúde que se apresentam de APS, cujas principais atribuições envolvem: prestar assistência adequada e resolutiva aos problemas de saúde mais prevalentes de uma população adscrita; prevenir a ocorrência de doenças evitáveis; retardar a instalação de agravos crônicos e a ocorrência de complicações precoces no curso das doenças e promover e preservar a saúde de pessoas, suas famílias e respectivas comunidades.</p><p>Para tanto, os profissionais devem ter capacitação específica e elevada qualificação técnica, inclusive para lançar mão de outros saberes e práticas que escapam ao domínio do paradigma anátomo-clínico, ainda hegemônico. Isto é, <br />o especialista em MFC deve desenvolver competências que não estão situadas no plano da racionalidade biotecnológica que privilegia a dimensão fisiopatológica das doenças.</p><p>No âmbito da APS, é fundamental desenvolver conhecimentos, habilidades e atitudes que capacitem o MFC para abordar as pessoas e seus processos de saúde-adoecimento enquanto fenômenos complexos, com sentidos e significados, condicionados pelo entrelaçamento de fatores de diferentes dimensões. Ou seja, torna-se necessário desenvolver competências centradas em nova racionalidade, reconhecidas como o paradigma da integralidade biopsicossocial.</p><p>Como desenvolver, de forma eficaz, tais competências em cursos de especialização que são, basicamente, centrados em atividades teóricas e privilegiam os aspectos cognitivos?</p><p>Vale lembrar que os PRM devem disponibilizar mais de 80% da sua carga horária em treinamento em serviço, sob a supervisão de especialistas. Este processo de ensino-aprendizagem, junto a pares mais experientes, permite o desenvolvimento de habilidades instrumentais e atitudinais não passíveis de serem desenvolvidas em cursos de pós-graduação de outra natureza.</p><p>Além disso, os PRM, contam uma carga horária bastante alargada, cerca de 5.500 horas quando, na grande maioria das vezes, as outras formas de especialização não chegam 10 % deste montante.</p><p>Não é por outra razão que os PRM são considerados padrão-ouro na formação de médicos especialistas. No plano da APS e da MFC esta estratégia parece ser ainda mais relevante se for levado em conta o desafio de formar profissionais que, além das atividades assistenciais, deverão ocupar espaços, que precisam ser desbloqueados no seio das instituições de ensino com vista ao desenvolvimento progressivo de atividades docentes e de pesquisa.</p><p>Importa realçar ainda que os PRM – cujos conteúdos programáticos e atividades teóricas são elaborados em par-ceria com as sociedades de especialidade – são regulamentados por lei e regidos por resoluções específicas da Comissão Nacional de Residência Médica, vinculada ao Ministério da Educação. Esta Comissão, através das subcomissões estaduais, implementa um processo de trabalho que envolve a certificação e a avaliação periódica dos PRM, buscando seu aperfeiçoamento longitudinal.</p><p>Isto não ocorre com os cursos de especialização, que em relação a este aspecto revelam, no Brasil, um agravante adicional: considerando que as áreas de atuação e os atributos específicos da MFC são ainda pouco (re)conhecidos, os cursos de especialização tendem a desenvolver conteúdos mais relacionados à área de saúde coletiva, deixando de aprofundar as especificidades clínicas da especialidade.</p><p>Tendo em vista estas considerações, a centralidade da formação de especialistas em Medicina de Família e Comunidade através de cursos de especialização, que não a residência médica, deve ser entendida, no Brasil, como uma estratégia de caráter transitório, também usada em outros países que implementaram a APS de forma mais acelerada, como no nosso país.</p><p>Nesta situação, o propósito é capacitar médicos, sem formação específica, que se encontram em atividades assistenciais na APS. Este recurso deve existir até que as políticas públicas nos campos da saúde e da educação venham apoiar decisivamente os programas de residência em MFC. Isto inclui a adoção de estratégias com o propósito de aumentar a competitividade dos PRMFC. Entre elas, a valorização da bolsa da residência em MFC, face à remuneração oferecida aos médicos da SF. Também será estratégico incluir o PRMFC no grupo das especialidades básicas que servem de acesso para outros PRM. As vantagens superariam as desvantagens, propiciando uma oportunidade de adesão à MFC por profissionais que, de outra forma poderiam ocupar, transitoriamente, postos de trabalho na SF até surgir oportunidade para seguir outro caminho profissional.</p><p>Por fim, vale lembrar que, para além da modalidade e qualificação dos programas de pós-graduação, será a organização de estratégias de desenvolvimento profissional contínuo que permitirá a implantação de processos consistentes para a manutenção e o aperfeiçoamento das competências dos especialistas e o incremento da qualidade dos serviços prestados à população ao longo do tempo.</p>

Loading...
Loading...A histórica Conferência de Alma Ata, que em 1978 reuniu delegações de 134 países sob a liderança da Organização Mundial da Saúde (OMS), consagrou a Atenção Primária à Saúde (APS) como estratégia para que os países alcançassem a meta “Saúde Para Todos no ano 2000”. <br /><br />O diagnóstico submetido à apreciação dos congressistas em Alma Ata pelo Dr. Halfdan Mahler, então diretor executivo da OMS, revelava que os sistemas nacionais de saúde, centrados no modelo flexneriano de medicina, longe de proporcionar saúde para todos, estavam mergulhados em problemas de tal ordem que, não raro, se transformavam em franca situação de crise. Neste cenário, a Inglaterra representava a grande exceção ao estado de desordem que a humanidade experimentava no mundo da saúde. <br /><br />As nações economicamente mais desenvolvidas puseram rapidamente em marcha um processo de reorientação dos respectivos sistemas nacionais de saúde que avançou a passos largos, sobretudo na Europa. A principal estratégia que adotaram para seguir a orientação da OMS e fortalecer a APS, praticamente sem exceção, foi investir na formação de especialistas em Medicina de Família e Comunidade. <br /><br />Estudos realizados em vários países da Europa, bem como no Canadá, Estados Unidos e, por último, também no Brasil, evidenciam que os sistemas de saúde orientados para os cuidados de saúde primários atendem com mais eficiência as necessidades de saúde das pessoas e dos povos. <br /><br />Resultados obtidos nestes estudos revelam que países com APS forte têm custos globais menores e populações em geral mais satisfeitas e mais saudáveis. Também revelam que uma disponibilidade maior de médicos de família reduz os efeitos adversos das desigualdades sociais e que em áreas com maior disponibilidade de médicos de família (mas não de maior disponibilidade de outros especialistas) têm populações mais saudáveis. <br /><br />Nos Estados Unidos, país cujo sistema de saúde mantém uma forte raiz hospitalocêntrica, o acréscimo de 1 médico de família está associado a 1,44 menos mortes por 10.000 habitantes. Outros indicadores em países com Atenção Primária organizada na lógica da Medicina de Família e Comunidade ou da Estratégia Saúde da Família revelam: <br /><br />• menos crianças com baixo peso ao nascer;<br />• melhores taxas de mortalidade infantil, especialmente pós-neonatal;<br />• melhores taxas de mortalidade precoce relacionada a todas as causas “exceto as externas”;<br />• maior expectativa de vida em todas as faixas de idade, exceto aos 80 anos;<br />• melhores taxas de mortalidade geral;<br />• melhores taxas de mortalidade por doença cardíaca;<br />• melhor detecção precoce de cânceres como o cólon-retal, mama, uterino/cervical e melanoma;<br />• redução das taxas de internação solicitadas em função de “condições sensíveis à APS” com conseqüente diminuição da sobrecarga em unidades de emergência e redução da demanda hospitalar.<br /><br />A Medicina de Família e Comunidade pode contribuir, de fato, para o aprimoramento dos sistemas de saúde porque as necessidades de cuidados primários que as pessoas experimentam ao longo de suas vidas exigem mais do que o emprego de procedimentos focais, transitórios ou pontuais, voltados para o controle de instabilidades fisiopatológicas críticas. São necessidades de promoção da saúde, prevenção tanto das doenças evitáveis quanto da instalação precoce das enfermidades crônicas e das suas complicações que levam à invalidez ou morte prematuras. <br /><br />Embora mais recente o processo de reorientação do modelo assistencial no Brasil cujo marco foi a implantação em 1994 do Programa Saúde da Família (PSF), predecessor da Estratégia Saúde da Família (ESF), tem merecido reconhecimento internacional pelos resultados obtidos no curto prazo. <br /><br />Apesar das conquistas e avanços consequentes à implantação do SUS, o modelo convencional de APS até então vigente, constituía um dos maiores obstáculos à própria consecução dos princípios consignados na Constituição de 1988 para regê-lo. A começar pela Universalidade, cujo caráter excludente levou milhões de brasileiros a recorrerem a empresas de planos e seguros de saúde. Tão ou mais importante do que isto, foi o desrespeito ao Princípio da Integralidade no que tange à integralidade do cuidado médico no âmbito da APS, prolongando sua fragmentação praticada por especialistas dos demais níveis do sistema. As dramáticas consequências de tudo isto são de domínio público. <br /><br />Ao instituir a Estratégia Saúde da Família (ESF), o Brasil inovou e avançou na configuração de um modelo de Atenção Primária altamente custo-efetivo, baseado numa equipe básica, constituída por medico, enfermeiro, cirurgião-dentista, técnicos de enfermagem e odontologia, agentes comunitários de saúde e, ainda, uma equipe interdisciplinar – NASF, para apoio e interface imediata, ampliando e amplificando a capacidade resolutiva. <br /><br />Com esta configuração pode alcançar elevado potencial de resolutividade, porque se dedica, não a atender demandas pontuais de saúde, mas sim a abordar processos de saúde e adoecimento, problemas de saúde mais frequentes de pessoas, famílias e comunidades. Além disso, a equipe desenvolve ações de educação, promoção à saúde e prevenção de adoecimento. Logo, é muito mais do que prover aumento de cobertura assistencial. <br /><br />A ESF, então, na medida em que é implantada, tem modificado a crônica situação de caos experimentada no campo da saúde pelo povo brasileiro, ainda que nem sempre as Equipes disponham de condições técnicas e operacionais minimamente adequadas. A exemplo do que acontece no cenário internacional, as avaliações técnicas revelam tanto os benefícios já alcançados quanto os benefícios potencias da Estratégia. Vale ressaltar quanto a isto: <br /><br />• o incremento de 10% na cobertura da Saúde da Família está associado a uma redução da ordem de 4,56 % nas taxas de mortalidade infantil;<br />• a exposição à Saúde da Família por 8 anos está associada com redução de 5,4% na mortalidade de menores de 1 ano em comparação com municípios sem Saúde da Família, aumento de matrícula de adolescentes (até 17 anos) na rede escolar da ordem de 4,5% e de redução da probabilidade de partos em mulheres com 18 até 55 anos a intervalos menores que 21 meses, da ordem de 4,6%; <br />• redução das taxas de internação por Condições Sensíveis à APS, a exemplo da redução de internações por asma entre adolescentes e da taxa de internações por insuficiência cardíaca, bem como por acidente cérebrovascular, na população acima dos 40 anos de idade e tantos outros dados favoráveis a ESF.<br /><br />Os resultados da expansão da ESF no município do Rio nestes 2 últimos anos (incremento de aproximadamente 15%) já seriam suficientes para dirimir qualquer tipo de dúvida quanto a importância da ESF na reorientação do modelo assistencial, ainda que a cobertura ao conjunto da população não tenha atingido a casa dos 20%. Houve queda nas internações hospitalares (foram quase 17 mil internações a menos entre janeiro e outubro de 2010), inclusive por doenças cardiovasculares, e visível redução, ainda a quantificar, da demanda de atendimento de urgência, graves pontos de estrangulamento do modelo assistencial ainda hegemônico. <br /><br />Em suma a ESF revela fortalezas que devem ser respeitadas e reforçadas pelos gestores dos 3 níveis de governo, cabendo dar ênfase particular às seguintes: <br /><br />• ter modificado, substancialmente e para melhor, em curto espaço de tempo, importantes resultados e indicadores de saúde do Brasil;<br />• ter expandido e ampliado a cobertura assistencial de cuidados primários em saúde para mais de 100.000 milhões de brasileiros;<br />• ter constituído uma rede articulada e progressivamente qualificada de APS, levando, como nunca antes, ações diversificadas de saúde, no âmbito da educação, promoção, prevenção e reabilitação em saúde com base em novo modelo assistencial;<br />• estar centrada em uma racionalidade científica distinta daquela geradora da crise da saúde no Brasil e no mundo;<br />• não atuar na doença como disfunção de fragmento do corpo, mas junto às pessoas, famílias e comunidades e seus processos de saúde e adoecimento;<br />• ser baseada no trabalho de uma equipe básica – altamente custo-efetiva – que, atuando na perspectiva da integralidade e apoiada por uma rede de apoio matricial, tem elevada capacidade resolutiva, evitando as digressões e a perversidade dos percursos intermináveis e iatrogênicos dos pacientes pelo sistema de saúde;<br />• utilizar, simultânea e interativamente, a Abordagem Individual, a Abordagem Familiar e a Comunitária como estratégias para educar, promover e recuperar a saúde, evitando adoecimentos ou agravamentos desnecessários;<br />• não é para pobres ou para ricos mas inclusiva, um modelo para todos conservando o ideal firmado em Alma Ata;<br />• aonde é implantada com qualidade, aumenta indistintamente a satisfação dos usuários, a qualidade da assistência, alcança melhores resultados em saúde, e reduz custos pois é mais eficaz e efetiva, a um menor custo;<br />• promove um reequilíbrio saudável na proporção e distribuição de especialistas focais, de um lado, diminuindo o acesso de pessoas sem necessidade e, por outro ampliando o acesso de outros com necessidade e que não têm acesso, seja por desorganização do sistema, seja pela não identificação precoce dos casos;<br />• estar contribuindo para o reconhecimento de uma especialidade médica que se dedica à Atenção Primária à Saúde – a Medicina de Família e Comunidade – que durante décadas, foi depreciada e menosprezada no contexto da saúde no Brasil;<br />• ser estratégica para executar políticas de inserção organizada da APS nos cursos de graduação em medicina e outras áreas da saúde;<br />• estar ampliado, de forma inigualável a formação e os cenários de capacitação pós-graduada no campo da APS no Brasil.<br /><br />Apesar de tantos pontos fortes e do reconhecimento internacional, também é preciso reconhecer que este processo de mudança do modelo assistencial em curso no Brasil constitui um desafio nada trivial. Importa reconhecer que implantar 30 mil Equipes de Saúde da Família em 15 anos constitui uma ousadia nunca antes posta em prática na história da saúde mundial. <br /><br />Não é de estranhar, portanto, a ocorrência de problemas conjunturais quando se leva em conta as dimensões e diversidades que bem caracterizam este país de todos, com quase 200 milhões de habitantes com diretos de cidadania amplamente garantidos por sua Constituição. <br /><br />Dawson já reconhecia nos idos de 1920 que a organização de um sistema de cuidados de saúde implica na constituição de uma rede articulada de serviços com sólida base ambulatorial com orientação comunitária. Isto significa que as unidades básicas de saúde devem estar conectadas a centros de referência bem estruturados. Mas também é necessário que a infraestrutura dessas unidades básicas respeite as exigências técnicas e éticas coerentes com suas atribuições, competências e responsabilidades. Como se sabe, nem sempre é assim. <br /><br />A formação de uma Equipe de Saúde da Família também não é uma questão trivial em face da complexidade dos problemas e demais necessidades de saúde inerentes a Atenção Primária. Basta lembrar a carência de profissionais de saúde com formação específica para atuar neste nível do sistema, inclusive no tocante a formação de especialistas em Medicina de Família e Comunidade, ainda que 3 programas pioneiros tenham sido instituídos em 1976, portanto, 2 anos antes da Conferência de Alma Ata. <br /><br />Só em anos mais recentes foram instituídas programas e políticas de incentivo, formação, capacitação e educação permanente e a distância para os profissionais de saúde no âmbito da APS/ESF, particularmente no que se refere ao Prósaúde, Telessaúde e Unasus. <br /><br />Por estas razões têm sido desenvolvidas recomendações e estratégias políticas visando ao aperfeiçoamento e também à radicalização em prol da Estratégia Saúde da Família. Entre elas vale ressaltar algumas delas adaptadas a partir de proposta apresentada por Eugênio Vilaça Mendes durante a V Conferência Internacional de APS, patrocinada pelo MS e realizada no Rio em 2010: <br /><br />• superação de enfoques restritos de APS seletiva, APS como projeto estruturante do SUS e Incremento dos recursos financeiros;<br />• consolidação em regiões e populações já cobertas pela ESF, expansão para regiões integradas economicamente (grandes e médias cidades) e para populações economicamente integradas (setores de classe média);<br />• adensamento tecnológico, melhoria da planta física, incremento dos recursos de apoio ao diagnóstico e tratamento, expansão e consolidação do Telessaúde;<br />• preservação e fortalecimento das políticas de incentivo ao ensino da APS/ESF nos cursos de graduação em saúde, e acesso dos respectivos especialistas ao corpo docente das IES;<br />• incremento dos programas de Residência em Medicina de Família e de Enfermagem e Odontologia da Família e da Comunidade;<br />• qualificação dos cursos de especialização em Saúde da Família;<br />• institucionalização dos programas de Educação Permanente, com base nos princípios da andragogia, em tempo protegido, e incremento dos programas de Educação a Distância;<br />• superação de distorções e problemas nas relações de trabalho (reforço do regime estatutário, implantação de planos de carreira, abono permanência em regiões críticas, valorização de titulação no âmbito da ESF, adesão à Estratégia e desempenho alcançado);<br />• aperfeiçoamento da gestão nos 3 níveis de governo e no nível local. E com esta última consideração vale sugerir que os novos gestores mantenham prudência e evitem rupturas na trajetória de um projeto de Estado, que tem resistido a mudanças de governos e gestões.<br /><br />A Estratégia Saúde da Família é uma conquista do cidadão e do povo brasileiro. Ela não é qualquer forma de fazer Atenção Primária, ao contrário, ela é uma forma eficaz, eficiente e efetiva de fazer uma APS de qualidade. Precisamos consolidar esta estratégia, aperfeiçoando e qualificando cada vez mais as Equipes e os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF). Este é o caminho. <br />

Loading...
Loading...A histórica Conferência de Alma Ata, que em 1978 reuniu delegações de 134 países sob a liderança da Organização Mundial da Saúde (OMS), consagrou a Atenção Primária à Saúde (APS) como estratégia para que os países alcançassem a meta “Saúde Para Todos no ano 2000”. <br /><br />O diagnóstico submetido à apreciação dos congressistas em Alma Ata pelo Dr. Halfdan Mahler, então diretor executivo da OMS, revelava que os sistemas nacionais de saúde, centrados no modelo flexneriano de medicina, longe de proporcionar saúde para todos, estavam mergulhados em problemas de tal ordem que, não raro, se transformavam em franca situação de crise. Neste cenário, a Inglaterra representava a grande exceção ao estado de desordem que a humanidade experimentava no mundo da saúde. <br /><br />As nações economicamente mais desenvolvidas puseram rapidamente em marcha um processo de reorientação dos respectivos sistemas nacionais de saúde que avançou a passos largos, sobretudo na Europa. A principal estratégia que adotaram para seguir a orientação da OMS e fortalecer a APS, praticamente sem exceção, foi investir na formação de especialistas em Medicina de Família e Comunidade. <br /><br />Estudos realizados em vários países da Europa, bem como no Canadá, Estados Unidos e, por último, também no Brasil, evidenciam que os sistemas de saúde orientados para os cuidados de saúde primários atendem com mais eficiência as necessidades de saúde das pessoas e dos povos. <br /><br />Resultados obtidos nestes estudos revelam que países com APS forte têm custos globais menores e populações em geral mais satisfeitas e mais saudáveis. Também revelam que uma disponibilidade maior de médicos de família reduz os efeitos adversos das desigualdades sociais e que em áreas com maior disponibilidade de médicos de família (mas não de maior disponibilidade de outros especialistas) têm populações mais saudáveis. <br /><br />Nos Estados Unidos, país cujo sistema de saúde mantém uma forte raiz hospitalocêntrica, o acréscimo de 1 médico de família está associado a 1,44 menos mortes por 10.000 habitantes. Outros indicadores em países com Atenção Primária organizada na lógica da Medicina de Família e Comunidade ou da Estratégia Saúde da Família revelam: <br /><br />• menos crianças com baixo peso ao nascer;<br />• melhores taxas de mortalidade infantil, especialmente pós-neonatal;<br />• melhores taxas de mortalidade precoce relacionada a todas as causas “exceto as externas”;<br />• maior expectativa de vida em todas as faixas de idade, exceto aos 80 anos;<br />• melhores taxas de mortalidade geral;<br />• melhores taxas de mortalidade por doença cardíaca;<br />• melhor detecção precoce de cânceres como o cólon-retal, mama, uterino/cervical e melanoma;<br />• redução das taxas de internação solicitadas em função de “condições sensíveis à APS” com conseqüente diminuição da sobrecarga em unidades de emergência e redução da demanda hospitalar.<br /><br />A Medicina de Família e Comunidade pode contribuir, de fato, para o aprimoramento dos sistemas de saúde porque as necessidades de cuidados primários que as pessoas experimentam ao longo de suas vidas exigem mais do que o emprego de procedimentos focais, transitórios ou pontuais, voltados para o controle de instabilidades fisiopatológicas críticas. São necessidades de promoção da saúde, prevenção tanto das doenças evitáveis quanto da instalação precoce das enfermidades crônicas e das suas complicações que levam à invalidez ou morte prematuras. <br /><br />Embora mais recente o processo de reorientação do modelo assistencial no Brasil cujo marco foi a implantação em 1994 do Programa Saúde da Família (PSF), predecessor da Estratégia Saúde da Família (ESF), tem merecido reconhecimento internacional pelos resultados obtidos no curto prazo. <br /><br />Apesar das conquistas e avanços consequentes à implantação do SUS, o modelo convencional de APS até então vigente, constituía um dos maiores obstáculos à própria consecução dos princípios consignados na Constituição de 1988 para regê-lo. A começar pela Universalidade, cujo caráter excludente levou milhões de brasileiros a recorrerem a empresas de planos e seguros de saúde. Tão ou mais importante do que isto, foi o desrespeito ao Princípio da Integralidade no que tange à integralidade do cuidado médico no âmbito da APS, prolongando sua fragmentação praticada por especialistas dos demais níveis do sistema. As dramáticas consequências de tudo isto são de domínio público. <br /><br />Ao instituir a Estratégia Saúde da Família (ESF), o Brasil inovou e avançou na configuração de um modelo de Atenção Primária altamente custo-efetivo, baseado numa equipe básica, constituída por medico, enfermeiro, cirurgião-dentista, técnicos de enfermagem e odontologia, agentes comunitários de saúde e, ainda, uma equipe interdisciplinar – NASF, para apoio e interface imediata, ampliando e amplificando a capacidade resolutiva. <br /><br />Com esta configuração pode alcançar elevado potencial de resolutividade, porque se dedica, não a atender demandas pontuais de saúde, mas sim a abordar processos de saúde e adoecimento, problemas de saúde mais frequentes de pessoas, famílias e comunidades. Além disso, a equipe desenvolve ações de educação, promoção à saúde e prevenção de adoecimento. Logo, é muito mais do que prover aumento de cobertura assistencial. <br /><br />A ESF, então, na medida em que é implantada, tem modificado a crônica situação de caos experimentada no campo da saúde pelo povo brasileiro, ainda que nem sempre as Equipes disponham de condições técnicas e operacionais minimamente adequadas. A exemplo do que acontece no cenário internacional, as avaliações técnicas revelam tanto os benefícios já alcançados quanto os benefícios potencias da Estratégia. Vale ressaltar quanto a isto: <br /><br />• o incremento de 10% na cobertura da Saúde da Família está associado a uma redução da ordem de 4,56 % nas taxas de mortalidade infantil;<br />• a exposição à Saúde da Família por 8 anos está associada com redução de 5,4% na mortalidade de menores de 1 ano em comparação com municípios sem Saúde da Família, aumento de matrícula de adolescentes (até 17 anos) na rede escolar da ordem de 4,5% e de redução da probabilidade de partos em mulheres com 18 até 55 anos a intervalos menores que 21 meses, da ordem de 4,6%; <br />• redução das taxas de internação por Condições Sensíveis à APS, a exemplo da redução de internações por asma entre adolescentes e da taxa de internações por insuficiência cardíaca, bem como por acidente cérebrovascular, na população acima dos 40 anos de idade e tantos outros dados favoráveis a ESF.<br /><br />Os resultados da expansão da ESF no município do Rio nestes 2 últimos anos (incremento de aproximadamente 15%) já seriam suficientes para dirimir qualquer tipo de dúvida quanto a importância da ESF na reorientação do modelo assistencial, ainda que a cobertura ao conjunto da população não tenha atingido a casa dos 20%. Houve queda nas internações hospitalares (foram quase 17 mil internações a menos entre janeiro e outubro de 2010), inclusive por doenças cardiovasculares, e visível redução, ainda a quantificar, da demanda de atendimento de urgência, graves pontos de estrangulamento do modelo assistencial ainda hegemônico. <br /><br />Em suma a ESF revela fortalezas que devem ser respeitadas e reforçadas pelos gestores dos 3 níveis de governo, cabendo dar ênfase particular às seguintes: <br /><br />• ter modificado, substancialmente e para melhor, em curto espaço de tempo, importantes resultados e indicadores de saúde do Brasil;<br />• ter expandido e ampliado a cobertura assistencial de cuidados primários em saúde para mais de 100.000 milhões de brasileiros;<br />• ter constituído uma rede articulada e progressivamente qualificada de APS, levando, como nunca antes, ações diversificadas de saúde, no âmbito da educação, promoção, prevenção e reabilitação em saúde com base em novo modelo assistencial;<br />• estar centrada em uma racionalidade científica distinta daquela geradora da crise da saúde no Brasil e no mundo;<br />• não atuar na doença como disfunção de fragmento do corpo, mas junto às pessoas, famílias e comunidades e seus processos de saúde e adoecimento;<br />• ser baseada no trabalho de uma equipe básica – altamente custo-efetiva – que, atuando na perspectiva da integralidade e apoiada por uma rede de apoio matricial, tem elevada capacidade resolutiva, evitando as digressões e a perversidade dos percursos intermináveis e iatrogênicos dos pacientes pelo sistema de saúde;<br />• utilizar, simultânea e interativamente, a Abordagem Individual, a Abordagem Familiar e a Comunitária como estratégias para educar, promover e recuperar a saúde, evitando adoecimentos ou agravamentos desnecessários;<br />• não é para pobres ou para ricos mas inclusiva, um modelo para todos conservando o ideal firmado em Alma Ata;<br />• aonde é implantada com qualidade, aumenta indistintamente a satisfação dos usuários, a qualidade da assistência, alcança melhores resultados em saúde, e reduz custos pois é mais eficaz e efetiva, a um menor custo;<br />• promove um reequilíbrio saudável na proporção e distribuição de especialistas focais, de um lado, diminuindo o acesso de pessoas sem necessidade e, por outro ampliando o acesso de outros com necessidade e que não têm acesso, seja por desorganização do sistema, seja pela não identificação precoce dos casos;<br />• estar contribuindo para o reconhecimento de uma especialidade médica que se dedica à Atenção Primária à Saúde – a Medicina de Família e Comunidade – que durante décadas, foi depreciada e menosprezada no contexto da saúde no Brasil;<br />• ser estratégica para executar políticas de inserção organizada da APS nos cursos de graduação em medicina e outras áreas da saúde;<br />• estar ampliado, de forma inigualável a formação e os cenários de capacitação pós-graduada no campo da APS no Brasil.<br /><br />Apesar de tantos pontos fortes e do reconhecimento internacional, também é preciso reconhecer que este processo de mudança do modelo assistencial em curso no Brasil constitui um desafio nada trivial. Importa reconhecer que implantar 30 mil Equipes de Saúde da Família em 15 anos constitui uma ousadia nunca antes posta em prática na história da saúde mundial. <br /><br />Não é de estranhar, portanto, a ocorrência de problemas conjunturais quando se leva em conta as dimensões e diversidades que bem caracterizam este país de todos, com quase 200 milhões de habitantes com diretos de cidadania amplamente garantidos por sua Constituição. <br /><br />Dawson já reconhecia nos idos de 1920 que a organização de um sistema de cuidados de saúde implica na constituição de uma rede articulada de serviços com sólida base ambulatorial com orientação comunitária. Isto significa que as unidades básicas de saúde devem estar conectadas a centros de referência bem estruturados. Mas também é necessário que a infraestrutura dessas unidades básicas respeite as exigências técnicas e éticas coerentes com suas atribuições, competências e responsabilidades. Como se sabe, nem sempre é assim. <br /><br />A formação de uma Equipe de Saúde da Família também não é uma questão trivial em face da complexidade dos problemas e demais necessidades de saúde inerentes a Atenção Primária. Basta lembrar a carência de profissionais de saúde com formação específica para atuar neste nível do sistema, inclusive no tocante a formação de especialistas em Medicina de Família e Comunidade, ainda que 3 programas pioneiros tenham sido instituídos em 1976, portanto, 2 anos antes da Conferência de Alma Ata. <br /><br />Só em anos mais recentes foram instituídas programas e políticas de incentivo, formação, capacitação e educação permanente e a distância para os profissionais de saúde no âmbito da APS/ESF, particularmente no que se refere ao Prósaúde, Telessaúde e Unasus. <br /><br />Por estas razões têm sido desenvolvidas recomendações e estratégias políticas visando ao aperfeiçoamento e também à radicalização em prol da Estratégia Saúde da Família. Entre elas vale ressaltar algumas delas adaptadas a partir de proposta apresentada por Eugênio Vilaça Mendes durante a V Conferência Internacional de APS, patrocinada pelo MS e realizada no Rio em 2010: <br /><br />• superação de enfoques restritos de APS seletiva, APS como projeto estruturante do SUS e Incremento dos recursos financeiros;<br />• consolidação em regiões e populações já cobertas pela ESF, expansão para regiões integradas economicamente (grandes e médias cidades) e para populações economicamente integradas (setores de classe média);<br />• adensamento tecnológico, melhoria da planta física, incremento dos recursos de apoio ao diagnóstico e tratamento, expansão e consolidação do Telessaúde;<br />• preservação e fortalecimento das políticas de incentivo ao ensino da APS/ESF nos cursos de graduação em saúde, e acesso dos respectivos especialistas ao corpo docente das IES;<br />• incremento dos programas de Residência em Medicina de Família e de Enfermagem e Odontologia da Família e da Comunidade;<br />• qualificação dos cursos de especialização em Saúde da Família;<br />• institucionalização dos programas de Educação Permanente, com base nos princípios da andragogia, em tempo protegido, e incremento dos programas de Educação a Distância;<br />• superação de distorções e problemas nas relações de trabalho (reforço do regime estatutário, implantação de planos de carreira, abono permanência em regiões críticas, valorização de titulação no âmbito da ESF, adesão à Estratégia e desempenho alcançado);<br />• aperfeiçoamento da gestão nos 3 níveis de governo e no nível local. E com esta última consideração vale sugerir que os novos gestores mantenham prudência e evitem rupturas na trajetória de um projeto de Estado, que tem resistido a mudanças de governos e gestões.<br /><br />A Estratégia Saúde da Família é uma conquista do cidadão e do povo brasileiro. Ela não é qualquer forma de fazer Atenção Primária, ao contrário, ela é uma forma eficaz, eficiente e efetiva de fazer uma APS de qualidade. Precisamos consolidar esta estratégia, aperfeiçoando e qualificando cada vez mais as Equipes e os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF). Este é o caminho. <br />

Loading...
Loading...<p class="Default">De fato, a Estratégia Saúde da Família (ESF) tem sido avaliada. Mais até do que outras práticas, tanto no plano dos cuidados secundários e terciários de saúde quanto no campo da gestão. Isto não invalida a instituição de novos critérios e métodos bem estruturados que deverão ser coerentes com objetivos definidos com clareza, a exemplo da AMQ, uma boa experiência a ser incentivada.</p> <p class="Default">A política que tem sido anunciada e divulgada pela nova gestão do Ministério da Saúde no âmbito dos cuidados de saúde primários não é animadora. No meu ponto-de-vista não reconhece o êxito alcançado em tantos países que adotaram a medicina de família e comunidade como estratégia para fortalecer a APS. Tampouco reconhece o êxito alcançado pela ESF no Brasil. Em consequência, aponta para uma descontinuidade da política adotada pelas gestões anteriores do MS que, efetivamente, se mostraram comprometidas com a expansão, consolidação e aperfeiçoamento da ESF.</p> <p class="Default">São muitas contradições. Não é fácil confiar em uma política supostamente implementada para qualificar a APS que, ao mesmo tempo, abraça e enfatiza o propósito de estimular o médico recém-formado “servir” na ESF “antes de fazer especialidade”. E mais, este recém-formado deverá servir em “Áreas Remotas e de Maior Vulnerabilidade”. (conforme revelou o próprio ministro Alexandre Padilha no Seminário sobre Escassez, Provimento e Fixação de Profissionais de Saúde em Áreas Remotas e Maior Vulnerabilidade). Neste cenário o recém-formado irá aprender e, deste modo, completar sua formação acadêmica considerada deficiente, segundo o ministro.</p> <p class="Default">Entre as fragilidades da APS apontadas pelo ministro está a cobertura de apenas 100 milhões de brasileiros. Porém, sem levar em conta a taxa de incremento verificada nos últimos anos. Entre 2001 e 2011 a cobertura assistencial saltou de 31 milhões e meio de pessoas para mais de 100 milhões, de acordo com os dados disponíveis no site do DAB. A população brasileira era de aproximadamente 166 milhões e chegou aos 191 milhões em 2011, enquanto o número de equipes neste período passou de 9.459 para 31.883.</p> <p class="Default">Outra parte das fragilidades foi atribuída à carência de especialistas em APS para suprir as necessidades de expansão da ESF em face da população de quase 200 milhões de brasileiros. É fato. Faltam especialistas em Medicina de Família e Comunidade no Brasil. Para enfrentar e superar este problema decorrente de políticas docente-assistenciais desastrosas adotadas até anos mais recentes é necessário aprofundar e dar continuidade às políticas de apoio e incentivo a programas de Residência em Medicina de Família e Comunidade, Residência Multiprofissional em Saúde da Família e Cursos de Especialização <em>lato senso </em>nesta área, ao invés de recorrer a improvisações formativas mambembes.</p> <p class="Default">Importa ressaltar que, de fato, há outros modelos de APS no Brasil. Já existiam muito antes da ESF. Portanto, não cabe jogar a responsabilidade pelas carências e insuficiências na conta dessa Estratégia que veio, exatamente, para reorientar o modelo assistencial adotado no país. Pelo menos no que concerne à APS. Unidades Básicas tradicionais bem estruturadas deveriam receber apoio e incentivos para suas equipes constituírem Núcleos de Excelência em termos de NASF. Vale acrescentar que consideráveis quantitativos de Clínicos, Pediatras, Ginecologistas e Obstetras já fazem parte das Equipes de Saúde da Família em todo o Brasil. Ou seja, é possível observar uma grande diversidade no âmbito da APS e da própria ESF no território nacional. Mais, exatamente para quê?</p> <p class="Default">Importa reconhecer, uma vez mais, que há, sim, Equipes e Unidades Básicas que deixam a desejar. Especialmente unidades que apresentam planta física e infra-estrutura degradadas e não contam com sistemas de apoio ao diagnóstico e tratamento minimamente adequados, nem com centros de referência alcançáveis em tempo útil. A precarização das relações de trabalho também está aí, certamente ao alcance dos gestores. Não se pode esquecer que a eles cabe toda responsabilidade no tocante à seleção e admissão de pessoal para a ESF.</p> <p class="Default">Convém lembrar ainda que centros prestadores de cuidados terciários e secundários de saúde também nem sempre funcionam a contento. Nem por isto devem cair nas mãos de recém-formados. Tampouco devem ser transformados em palco para soluções improvisadas e mirabolantes.</p> <p class="Default">Importa reconhecer por fim, que a qualidade em saúde não depende apenas de uma forma ou modelo, mas do domínio das competências necessárias para o respectivo exercício profissional. Para tanto não se faz necessário reinventar a roda. Basta olhar o mundo sem as artimanhas do avestruz. Assim sendo, será desnecessário transformar a ESF em bode expiatório.</p>

Loading...
Loading...
This research had as its object of study: “The experiences of physical violence in childhood of nursing undergraduate students.” The objectives were: a) to review the occurrence of physical violence in childhood students of nursing; b) to characterize the factors surrounding the experience of violence; and c) to identify the effects in adulthood of the violence suffered in childhood. The quantitative descriptive methods were used. The study subjects were 190 students in an undergraduate course in nursing. This research was approved by the Ethics in Research Committee (2102-CEP/HUPE Project). From the total, 61 (32%) of the study subjects experienced violence in childhood, predominantly at home, and the most frequent offenders are relatives. Most students believe spanking sometimes is necessary, and 9 (14%) of those were abused in childhood reported that the experience reflected in their adult life. Thus, family violence in childhood was important for students, and corporal punishment was a kind of ordinary education. We suggested approaching this problem more deeply in the undergraduate courses in nursing, promoting the prevention of violence and supporting those who experienced violence in childhood and those who experience it nowadays. <br />
Esta investigacion tuvo como objeto de estudio:” Las vivencias de violencia de los alumnos(as) de un curso de graduación en enfermería. Los objetivos han sido: a) analizar la ocurrencia de la violencia física en la infancia del alumno(a) de enfermaría; b) caracterizar los factores circundantes a la vivencia de esta violencia; y c) identificar las repercusiones en la vida adulta de la violencia sufrida en la infancia. El método utilizado ha sido el cualitativo del tipo descriptivo. Los sujetos de estudio han sido de 190 estudiantes de un curso de graduación en enfermería .Esta investigacion fue aprobada por el Comité de Ética en investigacion - Proyecto nº 2102 - Comité de Ética en Pesquisa del Hospital Universitario Pedro Ernesto (CEP/HUPE). De un total de sujetos del estudio, 61 (32%) sufrieron violencia en la infancia, predominantemente en domicilio, y los familiares fueron los agresores más frecuentes. La mayoría de los alumnos considera la palmada a veces necesaria y 9 (14%) de los que sufrieron violencia en la infancia relataron que tal experiencia ha repercutido en su vida adulta. Así, la ocurrencia de violencia familiar en la infancia de los alumnos es relevante, y la punición corporal como forma de educación naturalizada .Se sugiere el abordaje de este problema de forma más profundada en los Cursos de Graduación en Enfermaría, favoreciendo la prevención de la violencia y el apoyo que la han vivido o viven. <br />
Esta pesquisa teve como objeto de estudo: “As vivências de violência física na infância do(a)s aluno(a)s de um curso de graduação em Enfermagem”. Os objetivos foram: a) analisar a ocorrência de violência física na infância de aluno(a)s de enfermagem; b) caracterizar os fatores circundantes à vivência dessa violência; e c) identificar as repercussões na vida adulta da violência sofrida na infância. O método utilizado foi quantitativo do tipo descritivo. Os sujeitos do estudo foram 190 estudantes de um curso de graduação em Enfermagem. Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Pedro Ernesto (CEP/HUPE- Projeto nº 2102). Do total de sujeitos do estudo, 61 (32%) sofreram violência na infância, predominantemente no domicílio, e os familiares foram os agressores mais frequentes. A maioria dos alunos considera a palmada às vezes necessária e 9 (14%) dos que sofreram violência na infância relataram que essa experiência repercutiu em sua vida adulta. Assim, a ocorrência de violência familiar na infância dos alunos é relevante, e a punição corporal como forma de educação naturalizada. Sugere-se a abordagem desse problema de forma mais aprofundada nos cursos de graduação em Enfermagem, favorecendo a prevenção da violência e o apoio aos que a vivenciaram ou vivenciam. <br />

Loading...
Loading...
A implantação e consolidação da Estratégia Saúde da Família (ESF) em um grande centro urbano é um desafio. Questões decorrentes da dinâmica histórico-social de um grande centro urbano influenciam o processo de trabalho e as necessidades de educação em saúde percebidas pelos profissionais de saúde. A pobreza, a desigualdade social, as drogas e a violência urbana potencializam-se por meio de um feedback cruel e positivo, o que Campos denominou de um fluxo maluco e contraditório de informações, com essa ciranda perversa de destruição de valores penosamente construídos, influenciando nas atividades das Equipes de Saúde da Família. Este trabalho possuiu como objetivo analisar as percepções de profissionais de nível superior que atuam na ESF sobre a influência do trabalho em um grande centro urbano no processo de trabalho das equipes e necessidades educacionais dos profissionais, particularmente a violência urbana, a drogadição e tráfico de drogas. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa sobre os discursos práticos de profissionais de Saúde, a partir de Grupos Focais e entrevistas individuais em profundidade, com o escopo de análise baseado no método de Análise de Conteúdo, do tipo Categorial e Temática. Diferenças entre a ESF no interior, em municípios de pequeno e médio porte e na capital e as dificuldades inerentes ao trabalho nesta foram recorrentes no discurso. Reflexões sobre a problemática da violência urbana, da drogadição e do tráfico de drogas são explícitas no material discursivo. Riscos e vulnerabilidades inerentes a essa questão surgem como problemática a ser enfrentada pelos profissionais da ESF: promiscuidade sexual, início precoce da vida sexual, atividade sexual desprotegida, prostituição, negligência para com as crianças, problemas familiares, abandono e maus tratos de idosos, evasão escolar, dentre outros.
The implantation and consolidation of Family Health Strategy (ESF) in a great urban center is a challenge. Matters of social historical dynamics of a great urban center influence the work process and the needs of health education perceived by the health professionals. Poverty, economic inequality, drugs and urban violence potentiate themselves through a cruel and positive feedback, what Campos called a crazy and contradictious information flow, a vicious cycle of values destruction influencing on the health professionals’ activities. This study aimed to analyse the perceptions of higher level professionals that work on Family Health Strategy about the influence of their work in a great urban center on the work process of the teams and educational needs of the professionals, particularly urban violence, drug addiction and drug trafficking. The study presents a qualitative approach on practical discourse of the health professionals, from focus groups and individual interviews, with the scope of analysis based on the Content Analysis method, applied through a thematic cathegorial analysis. Differences between Family Health Strategy in small and average cities and in the capital and its inherent difficulty of work were recurrent. Reflections about the urban violence problematic, drug addiction and drug trafficking are explicit on this study. Inherent risks and vulnerabilities of the matter arise as problematic to be faced by the professionals of Family Health Strategy: sexual promiscuity, early active sex life, unprotected sex activity, prostitution, negligence of children, family problems, negligence and mistreatment of the elderly, truancy, among others.<br />
La implantación y consolidación de la Estrategia Salud de la Familia (ESF); en un gran centro urbano es un desafío. Cuestiones decurrentes de la dinámica histórico social de un gran centro urbano influencian el proceso de trabajo y la necesidades de educación en salud percibidas por los profesionales de salud. La pobreza, la desigualdad social, las drogas y la violencia urbana se potencializan a través de un feedback cruel y positivo, lo que Campos ha denominado de un flujo loco y contradictorio de informaciones, con esa continuidad perversa de destruición de valores penosamente construidos, influenciando en las actividades de los equipos de salud de la familia. Este trabajo posee como objetivo analizar las percepciones de profesionales de nivel superior que actúan en la Estrategia de Salud de la Familia sobre la influencia del trabajo en un gran centro urbano en el proceso de trabajo de los equipos y necesidades educacionales de los profesionales, particularmente la violencia urbana, la drogadicción y tráfico de drogas. Se trata de un estudio de abordaje cualitativo sobre los discursos prácticos de profesionales de salud, a partir de Grupos Focales y cuestionarios individuales en profundidad, con el ámbito de análisis basado en el método de análisis de contenido, tipo Categorial y Temática. Distinciones entre la Estrategia de Salud de la Familia en el interior, en municipios de pequeño y medio porte y en la capital y las dificultades inherentes al trabajo en esta se recorrieron en discurso. Reflexiones sobre la problemática de la violencia urbana, de la drogadicción y del tráfico de las drogas son explícitas en material discursivo. Riesgos y vulnerabilidad inherentes de esta cuestión surgen como problemática a ser enfrentada por los profesionales de la Estrategia de Salud de la Familia: promiscuidad sexual, inicio precoz de la vida sexual, actividad sexual sin protección, prostitución, negligencia para con los niños, problemas familiares, abandono y malos tratos de personas mayores, evasión escolar, entre otros.

Loading...
Loading...
The implantation and consolidation of Family Health Strategy (ESF) in a great urban center is a challenge. Matters of social historical dynamics of a great urban center influence the work process and the needs of health education perceived by the health professionals. Poverty, economic inequality, drugs and urban violence potentiate themselves through a cruel and positive feedback, what Campos called a crazy and contradictious information flow, a vicious cycle of values destruction influencing on the health professionals’ activities. This study aimed to analyse the perceptions of higher level professionals that work on Family Health Strategy about the influence of their work in a great urban center on the work process of the teams and educational needs of the professionals, particularly urban violence, drug addiction and drug trafficking. The study presents a qualitative approach on practical discourse of the health professionals, from focus groups and individual interviews, with the scope of analysis based on the Content Analysis method, applied through a thematic cathegorial analysis. Differences between Family Health Strategy in small and average cities and in the capital and its inherent difficulty of work were recurrent. Reflections about the urban violence problematic, drug addiction and drug trafficking are explicit on this study. Inherent risks and vulnerabilities of the matter arise as problematic to be faced by the professionals of Family Health Strategy: sexual promiscuity, early active sex life, unprotected sex activity, prostitution, negligence of children, family problems, negligence and mistreatment of the elderly, truancy, among others.<br />
La implantación y consolidación de la Estrategia Salud de la Familia (ESF); en un gran centro urbano es un desafío. Cuestiones decurrentes de la dinámica histórico social de un gran centro urbano influencian el proceso de trabajo y la necesidades de educación en salud percibidas por los profesionales de salud. La pobreza, la desigualdad social, las drogas y la violencia urbana se potencializan a través de un feedback cruel y positivo, lo que Campos ha denominado de un flujo loco y contradictorio de informaciones, con esa continuidad perversa de destruición de valores penosamente construidos, influenciando en las actividades de los equipos de salud de la familia. Este trabajo posee como objetivo analizar las percepciones de profesionales de nivel superior que actúan en la Estrategia de Salud de la Familia sobre la influencia del trabajo en un gran centro urbano en el proceso de trabajo de los equipos y necesidades educacionales de los profesionales, particularmente la violencia urbana, la drogadicción y tráfico de drogas. Se trata de un estudio de abordaje cualitativo sobre los discursos prácticos de profesionales de salud, a partir de Grupos Focales y cuestionarios individuales en profundidad, con el ámbito de análisis basado en el método de análisis de contenido, tipo Categorial y Temática. Distinciones entre la Estrategia de Salud de la Familia en el interior, en municipios de pequeño y medio porte y en la capital y las dificultades inherentes al trabajo en esta se recorrieron en discurso. Reflexiones sobre la problemática de la violencia urbana, de la drogadicción y del tráfico de las drogas son explícitas en material discursivo. Riesgos y vulnerabilidad inherentes de esta cuestión surgen como problemática a ser enfrentada por los profesionales de la Estrategia de Salud de la Familia: promiscuidad sexual, inicio precoz de la vida sexual, actividad sexual sin protección, prostitución, negligencia para con los niños, problemas familiares, abandono y malos tratos de personas mayores, evasión escolar, entre otros.
A implantação e consolidação da Estratégia Saúde da Família (ESF) em um grande centro urbano é um desafio. Questões decorrentes da dinâmica histórico-social de um grande centro urbano influenciam o processo de trabalho e as necessidades de educação em saúde percebidas pelos profissionais de saúde. A pobreza, a desigualdade social, as drogas e a violência urbana potencializam-se por meio de um feedback cruel e positivo, o que Campos denominou de um fluxo maluco e contraditório de informações, com essa ciranda perversa de destruição de valores penosamente construídos, influenciando nas atividades das Equipes de Saúde da Família. Este trabalho possuiu como objetivo analisar as percepções de profissionais de nível superior que atuam na ESF sobre a influência do trabalho em um grande centro urbano no processo de trabalho das equipes e necessidades educacionais dos profissionais, particularmente a violência urbana, a drogadição e tráfico de drogas. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa sobre os discursos práticos de profissionais de Saúde, a partir de Grupos Focais e entrevistas individuais em profundidade, com o escopo de análise baseado no método de Análise de Conteúdo, do tipo Categorial e Temática. Diferenças entre a ESF no interior, em municípios de pequeno e médio porte e na capital e as dificuldades inerentes ao trabalho nesta foram recorrentes no discurso. Reflexões sobre a problemática da violência urbana, da drogadição e do tráfico de drogas são explícitas no material discursivo. Riscos e vulnerabilidades inerentes a essa questão surgem como problemática a ser enfrentada pelos profissionais da ESF: promiscuidade sexual, início precoce da vida sexual, atividade sexual desprotegida, prostituição, negligência para com as crianças, problemas familiares, abandono e maus tratos de idosos, evasão escolar, dentre outros.

Loading...
Loading...
<p>Este estudo objetivou analisar o enfoque dado pelo profissional de saúde à família do paciente em tratamento de tuberculose no município de Itaboraí, no Rio de Janeiro. A coleta de dados foi feita por meio da entrevista de 100 usuários do Programa de Controle da Tuberculose. Os critérios de inclusão neste estudo foram: doentes de tuberculose em tratamento há mais de um mês e concluintes do tratamento até seis meses antes do início da coleta de dados. Os principais achados foram: a importância da participação da família para obtenção de êxito no tratamento<br />da tuberculose e o comprometimento do profissional de saúde com as condições de vida, saúde e moradia dos familiares dos usuários.</p>
The present study aimed to analyse the focus on the family by the professionals of a patient in tuberculosis treatment in the city of Itaboraí-RJ. Data collection was made through interviews of 100 patients of Tuberculosis Control Program. The criteria of inclusion in this study were: tuberculosis patients with more than one month of treatment, patients who had concluded the treatment six months before the start of data collection. The main findings were: the importance of family participation to succeed on the treatment of tuberculosis and commitment of the health professional with living conditions, health and housing of the patients.<br />
Este estudio tubo el objetivo de analizar el enfoque dado por el profesional de salud a la familia del paciente en tratamiento de tuberculosis en el municipio de Itaboraí-RJ. La cosecha de los datos se hizo por medio de cuestionarios de 100 usuarios del Programa de Control de la Tuberculosis. Los criterios de inclusión en este estudio han sido: enfermos de tuberculosis en tratamiento hace más de un mes, concluyentes del tratamiento hasta 6 meses antes del inicio de la cosecha de datos. Los principales resultados han sido: la importancia de la participación de la familia para obtención de éxito en tratamiento de la tuberculosis y el comprometimiento del profesional de salud con las condiciones de vida, salud y morada de los familiares de los usuarios.<br />

Loading...
Loading...
The present study aimed to analyse the focus on the family by the professionals of a patient in tuberculosis treatment in the city of Itaboraí-RJ. Data collection was made through interviews of 100 patients of Tuberculosis Control Program. The criteria of inclusion in this study were: tuberculosis patients with more than one month of treatment, patients who had concluded the treatment six months before the start of data collection. The main findings were: the importance of family participation to succeed on the treatment of tuberculosis and commitment of the health professional with living conditions, health and housing of the patients.<br />
Este estudio tubo el objetivo de analizar el enfoque dado por el profesional de salud a la familia del paciente en tratamiento de tuberculosis en el municipio de Itaboraí-RJ. La cosecha de los datos se hizo por medio de cuestionarios de 100 usuarios del Programa de Control de la Tuberculosis. Los criterios de inclusión en este estudio han sido: enfermos de tuberculosis en tratamiento hace más de un mes, concluyentes del tratamiento hasta 6 meses antes del inicio de la cosecha de datos. Los principales resultados han sido: la importancia de la participación de la familia para obtención de éxito en tratamiento de la tuberculosis y el comprometimiento del profesional de salud con las condiciones de vida, salud y morada de los familiares de los usuarios.<br />
<p>Este estudo objetivou analisar o enfoque dado pelo profissional de saúde à família do paciente em tratamento de tuberculose no município de Itaboraí, no Rio de Janeiro. A coleta de dados foi feita por meio da entrevista de 100 usuários do Programa de Controle da Tuberculose. Os critérios de inclusão neste estudo foram: doentes de tuberculose em tratamento há mais de um mês e concluintes do tratamento até seis meses antes do início da coleta de dados. Os principais achados foram: a importância da participação da família para obtenção de êxito no tratamento<br />da tuberculose e o comprometimento do profissional de saúde com as condições de vida, saúde e moradia dos familiares dos usuários.</p>

Loading...
Loading...
Screening image studies have shown that the frequency of hepatic steatosis findings has been progressivly increasing. The risk of developing NAFLD has been described and associated with obesity, insulin resistance and metabolic syndrome. There seems to be a correlation between NAFLD, alcohol e hepatic fibrosis. Our objective was to describe the prevalence of NAFLD and alcoholism in the participants of the of the Physical Activity in Community Project and to evaluate the associations between hepatic steatosis and presence of obesity and visceral obesity. Abdominal ultrasound was performed in 69 patients, 53.02±1.26 years old, looking for the presence and for the degree of fatty liver as well as subcutaneous and visceral fat. Patients with viral hepatitis and significant alcoholism were excluded after the AUDIT test. After this analysis, 60 patients were evaluated according to their anthropometrics data and were allocated into two groups: with and without fatty liver disease. The prevalence of alcoholism was 8.7%. Thirty seven percent of the patients showed up with NAFLD and were considered low to moderate risk (91%). The NAFLD showed a significant rise in the body mass index (34.1±8.7 versus 29.8±6.5kg/m2), waist circumference (102,6±12,7 versus 95.3±12.3cm), overall weight, (85,8±18,7 versus 74,5± 17.7kg), and visceral fat (47.9±10.5 versus 36.0±12.7mm). Hepatic steatosis is common in obese, especially in those with visceral obesity. We know that alcohol and visceral obesity are involved in the physiopathologic process of hepatic steatosis. For this reason, patients with Hepatic steatosis and excessive alcohol consumption may be at greater risk for Cirrhossis and hepatic insufficiency. <br />
La esteatosis hepática es un descubrimiento cada vez más frecuente en exámenes de rastreamento por estudio de imágenes. Ha sido descripta asociación entre esteatosis, obesidad, resistencia a la insulina y síndrome metabólica (SM) .También parece existir sinergismo entre esteatosis hepática, alcohol y fibrosis hepática. El objetivo ha sido de describir la prevalencia de esteatosis hepática y de etilismo en los participantes del Proyecto Actividad Física en Vila y evaluar su asociación con la presencia de obesidad y obesidad visceral. Ha sido realizada ultrasonido abdominal en 69 participantes, 53,02±1,26 años, siendo evaluado la presencia y el grado de esteatosis y las medidas de grasa subcutánea y visceral (GV). Han sido excluidos los pacientes con la hepatitis viral y con etilismo significativo en las anamnesis o después del teste AUDIT. Después del análisis inicial, 60 pacientes se evaluaron cuanto a los datos antropométricos y divididos en 2 grupos: con y sin esteatosis. La prevalencia de etilismo ha sido de 8,7%.La esteatosis hepática ha sido observada en 37% de los pacientes siendo la mayoría clasificada como leve y moderada (91%). El grupo con esteatosis ha presentado aumento significativo de IMC (34,±8,7 x 29,8±6,5Kg/m2), cintura abdominal (102,6±12,7 x 95,3±12,3cm) peso (85,8±18,7 x 74,5±17,7 Kg) e GV (47,9±10,5 x 36,0±12,7 mm). La esteatosis hepática es común en obesos, especialmente en aquellos con obesidad visceral. Sabemos que el alcohol y la obesidad visceral pueden estar envueltos en su mecanismo fisiopatológico. Por eso, los pacientes con esteatosis hepática y consumo excesivo de alcohol pueden presentar mayor chance de evolucionar desfavorablemente para la cirrosis y insuficiencia hepáticas. <br />
A esteatose hepática é um achado cada vez mais frequente em exames de rastreamento por estudo de imagem. Tem sido descrita associação entre esteatose, obesidade, resistência à insulina e síndrome metabólica (SM). Também parece existir sinergismo entre esteatose hepática, álcool e fibrose hepática. O objetivo foi descrever a prevalência de esteatose e de etilismo nos participantes do Projeto “Atividade Física na Vila” e avaliar sua associação com a presença de obesidade e obesidade visceral. Foi realizada ultrassonografia abdominal em 69 participantes, 53,02±1,26 anos, sendo avaliados a presença e o grau de esteatose e as medidas da gordura subcutânea e visceral (GV). Foram excluídos os pacientes com hepatite viral e com etilismo significativo na anamnese ou após teste AUDIT. Após análise inicial, 60 pacientes foram avaliados quanto aos dados antropométricos e divididos em 2 grupos: com e sem esteatose. A prevalência de etilismo foi de 8,7%. A esteatose hepática foi observada em 37% dos pacientes sendo a maioria classificada como leve e moderada (91%). O grupo com esteatose apresentou aumento significativo de IMC (34,±8,7 versus 29,8±6,5kg/m2), cintura abdominal (102,6±12,7 versus 95,3±12,3cm), peso (85,8±18,7 versus 74,5±17,7kg) e GV (47,9±10,5 versus 36,0±12,7mm). A esteatose hepática é comum em obesos, especialmente naqueles com obesidade visceral. Sabemos que o álcool e a obesidade visceral podem estar envolvidos em seu mecanismo fisiopatológico. Por isso, os pacientes com esteatose hepática e consumo excessivo de álcool podem apresentar maior chance de evoluir desfavoravelmente para a cirrose e insuficiência hepática. <br />

Loading...
Loading...
In South Brazil, American tegumentary leishmaniasis is predominant at Paraná, specially on the North and West areas, where it is localized one of the disease’s production circuits. It is believed that 3 to 5% of the cases evolve to the mucosal form, and that 1% of these can evolve to death. There is a long time that first choice drugs to treat this disease are the antimony compounds as pentavalent salts. The purpose of this study was to describe epidemiological and treatment characteristics of patients with mucosal leishmaniasis, who were diagnosed during the period from 2001 to 2007 in cities located on the coverage area of the 13 Heath Regional, which is situated in Cianorte, Paraná. The data were collected at the outpatient medical records and the System of Notifications and Information of Diseases epidemiological investigation records. During the mentioned period, 505 cases of American tegumentary leishmaniasis were notified, 30 of them (6%) as the mucosal form. In this study, the patients included were those with diagnosis of mucosal leishmaniasis that had complementary exams performed before and during the treatment. The results showed the need of patients’ careful monitoring by health teams, due to the possible evolution of the disease and the presence of unwanted drug effects. <br />
En la región Sur de Brasil, la leishmaniasis tegumentaria americana predomina en el estado de Paraná, principalmente al Norte y Oeste del país, donde está localizado uno de los circuitos de producción de la enfermedad. Se estima que de 3 a 5% de los casos de leishmaniasis cutánea desenvuelvan lesión mucosa, y que cerca de 1% de ellas puedan acabar en muerte. Por mucho tiempo, las drogas escogidas para tratar la enfermedad son los compuestos antimoniales bajo la forma de sales pentavalentes. El objetivo de este estudio fue describir características epidemiológicas y de tratamiento de los pacientes con leishmaniasis mucosa, diagnosticados en el periodo de 2001 a 2007, en municipios localizados en el área de estudio de la 13ª Regional de la Salud, localizada en el municipio de Cianorte, Paraná. Las informaciones fueron colectadas del registro médico y de los papeles de investigación epidemiológicos del SINAN (Sistema de Notificación e Información de Agravios). En el periodo estudiado, fueron notificados 505 casos de leishmaniasis tegumentaria americana, 30 de los cuales (6%) en forma mucosa. Fueron incluidos en el estudio pacientes diagnosticados con leishmaniasis mucosa, que poseían exámenes complementares realizados antes y durante el tratamiento. Los resultados evidenciaron la necesidad de cuidadosamente acompañar los enfermos en los equipos de salud, dada la posible evolución y la presencia de efectos medicamentosos indeseables en los pacientes afectados por la condición. <br />
Na região Sul do Brasil, a leishmaniose tegumentar americana predomina no Estado do Paraná, especialmente ao Norte e Oeste, onde um dos circuitos de produção da doença é localizado. Estima-se que 3 a 5% dos casos de leishmaniose cutânea desenvolvam lesão mucosa, e que cerca de 1% destas podem evoluir para óbito. De longa data, as drogas de escolha para tratamento da doença são os compostos antimoniais sob a forma de sais pentavalentes. O objetivo deste estudo foi descrever características epidemiológicas e de tratamento dos pacientes com leishmaniose mucosa, diagnosticados no período de 2001 a 2007, em municípios localizados na área de abrangência da 13ª Regional de Saúde, com sede no município de Cianorte, no Paraná. As informações foram coletadas do prontuário ambulatorial e das fichas de investigação epidemiológicas do Sistema de Notificação e Informação de Agravos. No período estudado, foram notificados 505 casos de leishmaniose tegumentar americana, 30 deles (6%) na forma mucosa. Foram incluídos no estudo pacientes com diagnóstico de leishmaniose mucosa, que apresentavam exames complementares realizados antes e durante o tratamento. Os resultados evidenciaram a necessidade de acompanhamento cuidadoso dos doentes nas equipes de saúde, dado a possível evolução e presença de efeitos medicamentosos indesejáveis nos pacientes afetados pela condição. <br />

Loading...
Loading...
<p>Muitas vezes os Médicos de Família têm de tomar a decisão de iniciar ou não o uso de aspirina nos seus pacientes. Embora os benefícios do tratamento com aspirina na redução do risco de enfarte do miocárdio (EM), acidente vascular cerebral (AVC) ou morte de causa vascular entre homens e mulheres com doença cardiovascular (DCV) pré-existente estejam bem estabelecidos, o papel da aspirina na prevenção primária é menos claro. Assim, o objetivo deste estudo foi determinar as indicações para o uso da aspirina na prevenção primária da DCV no adulto, baseadas na melhor evidência disponível. O autor pesquisou revisões baseadas em evidência, normas de orientação clínica, meta-análises, revisões sistemáticas e ensaios clínicos controlados e aleatorizados, na base de dados Medline e sites de Medicina Baseada na Evidência, utilizando os termos MeSH: Primary Prevention e Aspirin, publicados desde janeiro de 2000 até dezembro de 2009 em inglês, espanhol e português. Para avaliar o nível de evidência, foi utilizada a escala de Strength of Recommendation Taxonomy (SORT) da American Family Physician. As conclusões são: no homem entre os 45 e os 79 anos de idade deve ser encorajado o uso da aspirina quando o potencial benefício cardiovascular, prevenção de EM, ultrapassa o potencial dano de hemorragia gastrointestinal (GI) (SOR A); na mulher entre os 55 e os 79 anos de idade deve ser encorajado o uso da aspirina quando o potencial benefício cardiovascular, prevenção de AVC, ultrapassa o potencial dano de hemorragia GI (SOR A); a aspirina pode reduzir o risco de EM no diabético do sexo masculino (SOR B); ponderar o uso da aspirina como prevenção primária da DCV nos diabéticos tipo 1 e tipo 2 com risco cardiovascular aumentado, incluindo aqueles com >40 anos ou que têm fatores de risco adicionais (história familiar de DCV, HTA, fumantes, dislipidemia, ou albuminúria) (SOR B).</p>
A menudo, los médicos de familia tienen que decidir se inician o no el uso de la aspirina en los pacientes. Aunque los beneficios de la terapia con aspirina en la reducción del riesgo de infarto de miocardio (IM), accidente cerebrovascular (ACV) o muerte vascular entre los hombres y mujeres con enfermedad cardiovascular (ECV) preexistentes son bien establecidos, el papel de la aspirina en prevención primaria es menos claro. Por lo tanto, el objetivo de este estudio fue determinar las indicaciones para el uso de la aspirina en la prevención primaria de ECV en adultos, basadas en la mejor prueba disponible. El autor investigó revisiones clínicas basadas en la evidencia práctica, meta-análisis, revisiones sistemáticas y ensayos clínicos controlados aleatorios, en la base de datos Medline, y los sitios de la Medicina Basada en Pruebas, utilizando los términos MeSH: Aspirina y prevención primaria, publicado desde enero de 2000 hasta diciembre de 2009 en inglés, español y portugués. Para evaluar el nivel de escala de las pruebas de calificación, se utilizó para la fuerza de la Strength of Recommendation Taxonomy (SORT) de American Family Physician. Las conclusiones son las siguientes: en los hombres entre 45 y 79 años de edad, ellos deben ser alentados a utilizar la aspirina si el beneficio potencial cardiovascular, la prevención de la EM, es mayor que el daño potencial de hemorragia gastrointestinal (GI) (SOR A); en mujeres entre 55 y 79 años de edad, deben ser alentados a utilizar aspirina si el potencial beneficio cardiovascular, prevención del ACV, es mayor que el daño potencial de sangrado del tracto gastrointestinal (SOR A); la aspirina puede reducir el riesgo de infarto de miocardio en hombres diabéticos (SOR B); considerar el uso de aspirina para la prevención primaria de ECV en la diabetes tipo 1 y tipo 2 con riesgo cardiovascular aumentado, incluyendo aquellos con >40 años o que tienen factores de riesgo adicionales (historia familiar de enfermedad cardiovascular, hipertensión, tabaquismo, dislipidemia o albuminuria) (SOR B). <br />
<p>Many times the Family Physicians need to make the decision of start to use or not aspirin in their patients. Although the benefits of treatment with aspirin in reducing the risk of myocardial infarction (MI), stroke or vascular cause of death among men and women with pre-existing cardiovascular disease (CVD) are well established, the role of aspirin in primary prevention is less clear. So, the objective of this work is to determine the indications of aspirin use for the primary prevention of CVD in adults, based in the best available evidence. The author searched evidence-based reviews, guidelines, meta-analysis, systematic reviews and randomized controlled trials, in Medline database and evidence-based medicine sites, using the MeSH terms: “Aspirin and Primary Prevention”. The search was limited to articles published between January 2000 and December 2009 in English, Spanish and Portuguese. The Strength of Recommendation Taxonomy (SORT) of the American Family Physician was used to assess the Level of Evidence. The conclusions are: the men between 45 and 79 years should be encouraged to use aspirin if the potential cardiovascular benefit, prevention of MI, outweighs the potential damage of gastrointestinal (GI) bleeding (SOR A); the women between 55 and 79 years should be encouraged to use aspirin if the potential cardiovascular benefit, the prevention of stroke, outweighs the potential damage of GI bleeding (SOR A); aspirin can reduce the risk of MI in the diabetic males (SOR B); consider the use of aspirin for primary prevention of CVD in diabetes type 1 and type 2 with increased cardiovascular risk, including those aged >40 years or who have additional risk factors (family history of CVD, hypertension, smoking, dyslipidemia, and albuminuria) ( SOR B).</p>

Loading...
Loading...
<p>Many times the Family Physicians need to make the decision of start to use or not aspirin in their patients. Although the benefits of treatment with aspirin in reducing the risk of myocardial infarction (MI), stroke or vascular cause of death among men and women with pre-existing cardiovascular disease (CVD) are well established, the role of aspirin in primary prevention is less clear. So, the objective of this work is to determine the indications of aspirin use for the primary prevention of CVD in adults, based in the best available evidence. The author searched evidence-based reviews, guidelines, meta-analysis, systematic reviews and randomized controlled trials, in Medline database and evidence-based medicine sites, using the MeSH terms: “Aspirin and Primary Prevention”. The search was limited to articles published between January 2000 and December 2009 in English, Spanish and Portuguese. The Strength of Recommendation Taxonomy (SORT) of the American Family Physician was used to assess the Level of Evidence. The conclusions are: the men between 45 and 79 years should be encouraged to use aspirin if the potential cardiovascular benefit, prevention of MI, outweighs the potential damage of gastrointestinal (GI) bleeding (SOR A); the women between 55 and 79 years should be encouraged to use aspirin if the potential cardiovascular benefit, the prevention of stroke, outweighs the potential damage of GI bleeding (SOR A); aspirin can reduce the risk of MI in the diabetic males (SOR B); consider the use of aspirin for primary prevention of CVD in diabetes type 1 and type 2 with increased cardiovascular risk, including those aged >40 years or who have additional risk factors (family history of CVD, hypertension, smoking, dyslipidemia, and albuminuria) ( SOR B).</p>
A menudo, los médicos de familia tienen que decidir se inician o no el uso de la aspirina en los pacientes. Aunque los beneficios de la terapia con aspirina en la reducción del riesgo de infarto de miocardio (IM), accidente cerebrovascular (ACV) o muerte vascular entre los hombres y mujeres con enfermedad cardiovascular (ECV) preexistentes son bien establecidos, el papel de la aspirina en prevención primaria es menos claro. Por lo tanto, el objetivo de este estudio fue determinar las indicaciones para el uso de la aspirina en la prevención primaria de ECV en adultos, basadas en la mejor prueba disponible. El autor investigó revisiones clínicas basadas en la evidencia práctica, meta-análisis, revisiones sistemáticas y ensayos clínicos controlados aleatorios, en la base de datos Medline, y los sitios de la Medicina Basada en Pruebas, utilizando los términos MeSH: Aspirina y prevención primaria, publicado desde enero de 2000 hasta diciembre de 2009 en inglés, español y portugués. Para evaluar el nivel de escala de las pruebas de calificación, se utilizó para la fuerza de la Strength of Recommendation Taxonomy (SORT) de American Family Physician. Las conclusiones son las siguientes: en los hombres entre 45 y 79 años de edad, ellos deben ser alentados a utilizar la aspirina si el beneficio potencial cardiovascular, la prevención de la EM, es mayor que el daño potencial de hemorragia gastrointestinal (GI) (SOR A); en mujeres entre 55 y 79 años de edad, deben ser alentados a utilizar aspirina si el potencial beneficio cardiovascular, prevención del ACV, es mayor que el daño potencial de sangrado del tracto gastrointestinal (SOR A); la aspirina puede reducir el riesgo de infarto de miocardio en hombres diabéticos (SOR B); considerar el uso de aspirina para la prevención primaria de ECV en la diabetes tipo 1 y tipo 2 con riesgo cardiovascular aumentado, incluyendo aquellos con >40 años o que tienen factores de riesgo adicionales (historia familiar de enfermedad cardiovascular, hipertensión, tabaquismo, dislipidemia o albuminuria) (SOR B). <br />
<p>Muitas vezes os Médicos de Família têm de tomar a decisão de iniciar ou não o uso de aspirina nos seus pacientes. Embora os benefícios do tratamento com aspirina na redução do risco de enfarte do miocárdio (EM), acidente vascular cerebral (AVC) ou morte de causa vascular entre homens e mulheres com doença cardiovascular (DCV) pré-existente estejam bem estabelecidos, o papel da aspirina na prevenção primária é menos claro. Assim, o objetivo deste estudo foi determinar as indicações para o uso da aspirina na prevenção primária da DCV no adulto, baseadas na melhor evidência disponível. O autor pesquisou revisões baseadas em evidência, normas de orientação clínica, meta-análises, revisões sistemáticas e ensaios clínicos controlados e aleatorizados, na base de dados Medline e sites de Medicina Baseada na Evidência, utilizando os termos MeSH: Primary Prevention e Aspirin, publicados desde janeiro de 2000 até dezembro de 2009 em inglês, espanhol e português. Para avaliar o nível de evidência, foi utilizada a escala de Strength of Recommendation Taxonomy (SORT) da American Family Physician. As conclusões são: no homem entre os 45 e os 79 anos de idade deve ser encorajado o uso da aspirina quando o potencial benefício cardiovascular, prevenção de EM, ultrapassa o potencial dano de hemorragia gastrointestinal (GI) (SOR A); na mulher entre os 55 e os 79 anos de idade deve ser encorajado o uso da aspirina quando o potencial benefício cardiovascular, prevenção de AVC, ultrapassa o potencial dano de hemorragia GI (SOR A); a aspirina pode reduzir o risco de EM no diabético do sexo masculino (SOR B); ponderar o uso da aspirina como prevenção primária da DCV nos diabéticos tipo 1 e tipo 2 com risco cardiovascular aumentado, incluindo aqueles com >40 anos ou que têm fatores de risco adicionais (história familiar de DCV, HTA, fumantes, dislipidemia, ou albuminúria) (SOR B).</p>

Loading...
Loading...
<p><strong>Introduction:</strong> According to the definition of the role of the Family Physician (FP) presented in the statement of the European Wonca 2002, one of her/his features is the ability of coordination of care, and management of the interface with other specialties. However, there are serious problems of coordination between the levels of assistance, as showed by the discontinuity of care when patients are hospitalized. With the aim of raising awareness and analyze a particular case of interface between the Primary Health Care (PHC) and Hospital, and how important is the success of a good collaboration, this case is reported. <strong>Description of case:</strong> Male, 50 years old, caucasian race, inserted into a nuclear family in the stage VI Duvall’s cycle. A gastric adenocarcinoma by his FP was diagnosed at 49 years old. The patient was referenced to urgent consultation of general surgery. With various surgical complications he had a long internment. A poorly differentiated and infiltrating gastric carcinoma at the stage T3 N1 Mx, with poor prognosis, was confirmed. There was serious lack of interface and gaps in information between the hospital and the PHC. There was a bad care of the patient, with worsening of his condition. At the insistence of the FP, the articulation becomes effective and there was improved in quality of care and of the general condition of the patient. <strong>Conclusion:</strong> A proper interface and coordination of care contributed to better quality of life and satisfaction of patients, with positive repercussions for their families, to health professionals involved and to the National Health Service. The completion of the FP core competencies will only be possible when his/her proper function will be recognized and known by all the other health professionals.</p><p><strong>Note: </strong>The speciality physician denomination changes according to the country; in Brazil, it receives the name of <em>Medicina de Família</em> <em>e Comunidade</em>. In Portugal, country of the author of this paper, this speciality is named <em>Medicina</em> <em>Geral e Familiar</em>. Other terms or expressions of this paper were kept in its original language.</p>
<p><strong>Introducción:</strong> De acuerdo a la definición del papel de los Especialistas de Medicina General y de Familia (EMGF), presentada en la declaración de WONCA Europea de 2002, una de sus características es la capacidad de coordinación de cuidados y gestión de la interface con otras especialidades. Sin embargo, hay graves problemas de articulación entre los niveles asistenciales, de que es ejemplo la discontinuidad de los cuidados cuando los enfermos son hospitalizados. Con el objetivo de dar a conocer y analizar un caso particular de articulación entre los cuidados de la Salud Primarios (CSP) y hospitaleros y lo cuanto importante es el suceso de una buena articulación, se relata un caso clínico. <strong>Desarrollo:</strong> Enfermo del sexo masculino, de 50 años de edad, caucásico, inserido en una familia nuclearen la fase VI del ciclo de Duvall. A los 49 años de edad de edad es diagnosticado, por su médica de familia (MF), un adenocarcinoma gástrico. Referenciado con urgencia a la consulta de Cirugía General, es internado y operado, sufriendo longos internamientos por diversas intercurrencias quirúrgicas. Es confirmado un adenocarcinoma gástrico poco diferenciado y infiltradito en estado T3 N1Mx, con mal pronóstico. Desde entonces hubo grave desarticulación de cuidados y lagunas de información entre los cuidados hospitaleros y los CSP. Se percibió una mala prestación de cuidados al paciente, con agravamiento de su estado general, por insistencia de la MF y la articulación pasó a ser efectiva, ocurriendo mejoría de la calidad de los cuidados prestados y del estado general del enfermo. <strong>Conclusión:</strong> Una buena articulación de cuidados contribuyó para una mejor calidad de vida y satisfacción del enfermo, con repercusiones positivas para a su familia, para los profesionales de salud envueltos y para el Servicio Nacional de Salud. La realización pela de las competencias nucleares del EMGF sólo será posible cuando hay un conocimiento y reconocimiento del papel de este especialista por todos los otros profesionales de la salud.</p><p><strong>Nota:</strong> La denominación de la especialidad varia de acuerdo al país, en Brasil recibe el nombre de <em>Medicina de Família e Comunidade</em>. En Portugal, país de origen del autor(es) de este trabajo, la misma es llamada de <em>Medicina Geral e Familiar</em>.</p>
<p><strong>Introdução:</strong> De acordo com a definição do papel do especialista de Medicina Geral e Familiar (EMGF), apresentada na declaração da Wonca Europeia de 2002, uma das suas características é a capacidade de coordenação de cuidados e gestão da interface com outras especialidades. Contudo, existem graves problemas de articulação entre os níveis assistenciais, de que é exemplo a descontinuidade dos cuidados quando os doentes são hospitalizados. Com o objetivo de dar a conhecer e analisar um caso particular de articulação entre os cuidados de saúde primários (CSP) e hospitalares e o quão importante é o sucesso de uma boa articulação, relatou-se um caso clínico. <strong>Desenvolvimento:</strong> Doente do sexo masculino, de 50 anos de idade, raça caucasiana, inserido em uma família nuclear na fase VI do Ciclo de Duvall. Aos 49 anos de idade é diagnosticado, pela sua Médica de Família (MF), um adenocarcinoma gástrico. Referenciado com urgência à consulta de Cirurgia Geral, é internado e operado, sofrendo longos internamentos por diversas intercorrências cirúrgicas. É confirmado um adenocarcinoma gástrico pouco diferenciado e infiltrativo no estádio T3 N1 Mx, com mau prognóstico. Desde então existiu grave desarticulação de cuidados e lacunas de informação entre os cuidados hospitalares e os CSP. Assistiu-se a uma má prestação de cuidados ao doente, com agravamento do seu estado geral. Por insistência da MF a articulação passou a ser efetiva, havendo melhoria da qualidade dos cuidados prestados e do estado geral do doente. <strong>Conclusão:</strong> Uma boa articulação de cuidados contribuiu para uma melhor qualidade de vida e satisfação do doente, com repercussões positivas para a sua família, para os profissionais de saúde envolvidos e para o Serviço Nacional de Saúde. A realização plena das competências nucleares do EMGF só será possível quando houver um conhecimento e reconhecimento do papel desse especialista por todos os outros profissionais de saúde.</p><p><strong>Nota:</strong> A denominação da especialidade varia de acordo com o país; no Brasil, recebe o nome de Medicina de Família e Comunidade. Em Portugal, país de origem do autor deste trabalho, tal especialidade é chamada de <strong>Medicina Geral e Familiar</strong>. Foram mantidos na linguagem original outros termos e expressões contidos neste texto.</p><p> </p>

Loading...
Loading...
<p>Given the importance of encouraging the production and dissemination of researches in the specialty of Family and Community Medicine, an event, which aimed at creating opportunities to show research papers carried out by medical residents of the state of Rio Grande do Sul, in 2008, was reported. At the end, the authors and the abstracts of their papers are listed.</p>
Dada la importancia de fomentar la producción y difusión de las investigaciones realizadas en la especialidad de Medicina Familiar y Comunitaria, se hace un informe de un evento que buscaba crear oportunidades para presentar trabajos de investigación realizados por médicos residentes del estado de Rio Grande do Sul, en 2008. Por último, enumeran a los autores y los resúmenes de los trabajos. <br />
Tendo em vista a importância de incentivar a produção e divulgação das pesquisas realizadas na especialidade de Medicina de Família e Comunidade, foi feito o relato de um evento que buscava oportunizar a apresentação de trabalhos de pesquisa desenvolvidos por médicos residentes do estado do Rio Grande do Sul, em 2008. Ao final, são listados os autores e respectivos resumos dos trabalhos. <br />

Loading...
Loading...
<p><strong>Purpose and Editorial Policy</strong></p><p>The peer review process</p><p><strong>Sections and Types of Articles</strong></p><p><strong>Presentation and Preparation of Manuscripts</strong></p><p><strong>Electronic Submissions</strong></p><p>Statement of authorship</p><p>Sample Statement of Authorship and Responsibility</p><p>Research ethics</p><p>Acknowledgments</p><p>Additional doubts and clarification</p>
<p><strong>Objetivo e Política Editorial</strong></p><p>Processo de avaliação pelos pares</p><p><strong>Seções e Tipos de Trabalhos</strong></p><p><strong>Apresentação e Preparo dos Manuscritos</strong></p><p><strong>Submissão Eletrônica</strong></p><p>Declaração de Autoria e responsabilidade dos autores</p><p>Exemplo de Declaração de Autoria e Responsabilidade</p><p>Ética em Pesquisa</p><p>Agradecimentos</p><p>Dúvidas e Esclarecimentos adicionais</p>
